Luiz Geraldo Mazza, Cícero Cattani, Malu Mazza, Karina Bernardi, Ana Zimmermann, Lenise Klenk, Gladimir Nascimento, José Carlos Fernandes, Carolina Wolf, Estelita Carazzai...
Luiz Geraldo Mazza, Cícero Cattani, Malu Mazza, Karina Bernardi, Ana Zimmermann, Lenise Klenk, Gladimir Nascimento, José Carlos Fernandes, Carolina Wolf, Estelita Carazzai…
Por Vinicius Sgarbe (*)
Jornalistas estão no mesmo barco, exceto os de televisão. Construo essa crença faz tempo e tem a ver com as poderosas forças do marketing e do dinheiro, próprias das redações com carpete. Normal. Curitiba, Atlanta, Londres, Paris. CNN, BBC, Franceinfo. Longe de ser um privilégio. É que televisão custa caro e precisa de suporte de áreas que não são noticiário.
Lembremos – um tanto engraçado, para as duas. Ruth Bolognese interrompe Joice Hasselmann, ao vivo, mais ou menos assim: “Joice, o minuto da televisão é muito caro para você continuar falando”. É disso que se trata.
A engenharia que leva a TV para a casa das pessoas é ridiculamente cara.
Você sabe quanto custa um cabo de microfone? Uma lente? Uma câmera? A formação para operar os equipamentos?
Quanto da vida de Gladimir Nascimento, Dulcinéia Novaes, José Wille, Marcos Tosi, Sandro Dalpícolo, Jasson Goulart, Solange Berezuk, Fernando Parracho, Wilson Soler – reconheço a insolência de não listar um a um – dedicou-se ao jornalismo de televisão? Ora. O nível esperado é de diplomata, cientista, professor – com inteligência, erudição e educação impecáveis. São assim. Na grandeza das próprias índoles, olham outras terras.
TIROU DA PROSTITUIÇÃO
No exercício da profissão, Gladimir Nascimento resgatou uma adolescente grávida de um prostíbulo. Enfrentou sozinho os “ladrões de galinhas”.
Dulcinéia Novaes é a presença celeste. Inesquecível no talento e na presteza. Wille é a própria integridade do texto. Sandro, quando tem o jornal para apresentar, faz parecer que temos tempo infinito, atenção exclusiva. Parracho reúne uma multidão ao gravar um especial. Carrega tripé, câmera. São essas as vidas legítimas do jornalismo de televisão.
São essas as pessoas que me inspiram.
LIXO SEBOSO
Agora, jovem repórter que se aboba em público. Que torna histórias possíveis em lixo seboso. Que se derrete na bajulação com o editor, com o coordenador, mas é rude com os colegas. “Tolo! Você vai morrer esta noite! E seu celeiro grande e abarrotado? Para quem ficará?”. Manuais de Olga Curado, Ivor Yorke, isso é básico. Livro do Augusto Curi? Osho?
Cultura nerd? Você está indo pra onde? Acorde pra cuspir! Erra no básico, no português. Erra no necessário, nas novas técnicas. Erra no divino, sem criatividade. Na sua idade e encostado, exclusivamente medíocre.
Você diz “seu” Fulano ou “dona” Cicrana, ao chamar seus entrevistados.
Não é nada. Participa de histórias que não entende, fala “seu” Preto Com Fome Precisa de Minha Superioridade. É isso que ouço. Passa apressado pelos tesouros alheios. Deixa um rastro de constrangimento intelectual.
PAPEL DE PATETA
Pode se envergonhar de ter feito papel de pateta na Lava Jato, e em outras histórias. É difícil para um repórter vaidoso, mas um pouco de arrependimento não faz mal a ninguém. Sejamos claros, uma vez – e em público, já que é em público que humilhamos nossas fontes (quando as entrevistamos e não as publicamos, por exemplo). Todos sabemos e comentamos que movimentação de processo na Justiça não é notícia. Que a conjugação dos verbos “deixar”, “comentar” ou “enviar” na segunda pessoa do imperativo é um regionalismo que não é daqui. Que a “belíssima” imagem do espectador, recorrente e mal captada, é uma porcaria.
Em vez de pensar na “Dona Não Sei Quem” do bairro que você não sabe o nome de uma rua, na hora de gravar, tenha em mente estas pessoas:
Luiz Geraldo Mazza, Hélio Pugliesi, Cícero Cattani, Nara Moreira, Nadia Fontana. Michelle Thomé, José Carlos Fernandes, Roberta Canetti, Carolina Gomes, Fábio Buchmann, Lenise Klenk, Fernando Rodrigues, Eduardo Abilhoa, Luciana Marangoni, Rubens Burigo, Malu Mazza, Ana Zimmerman, Carolina Wolf, Adriana Milczevski, Ana Carolina Oleksy, Marcelo Rocha, Sérgio Tavares Filho, Valquiria Silva, Roger Pereira, Vinicius Boreki, Estelita Carazzai, Giselle Hishida, Aline Castro, Daiane Figueiró, Heliberton Cesca, Tathiana Mesquita, Douglas Santucci, Lucas Rocha, Helen Anacleto, Narley Resende, Karina Bernardi, Carolina Cattani, Aroldo Murá Haygert, os doutores e mestres da PUCPR, UFPR, Tuiuti, UEPG, UEL, os anciãos jornalistas, os excelentes jornalistas, as melhores formações. Todos olhando.
Vamos, jovem repórter, fazer vídeos que nos deixem com orgulho?