quarta-feira, 8 julho, 2026
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CRISTO E SATANÁS NO EPICENTRO DAS REDES QUANDO ASSOCIADOS A BOLSONARO

Dom Walmor de Oliveira Azevedo: presidente da CNBB; Pastor Steve Kunda

Desconhecido no Brasil, o pastor Steve Kunda, congolês que dirige uma igreja evangélica em Paris, disse, semanas atrás, que o presidente Bolsonaro é um iluminado, em outras palavras.

Garantiu que o presidente cumpre um mandato divino, palavras que foram registradas pela Rede Super de TV, da Igreja Lagoinha, de Belo Horizonte.

O pastor previu que Jair poderá ter papel muito importante, “com seu exemplo” no mundo.

MENOS REPUBLICANO

Isso tudo, mais as recentes e amplas manifestações dos pastores Marcos Feliciano e Silas Malafaia, de ardorosa devoção ao Governo, pode-se admitir que o Brasil tem tudo para se tornar menos republicano e mais teocrático. Isso em face da importância e o poder de comando que as denominações evangélicas têm hoje no país, aglutinando cerca de 52 milhões de cidadãos.

Essa caminhada, que pode gerar uma teocracia, remete-me ao Brasil dos anos 1930/40, com Getúlio Vargas. Ele era literalmente obediente às sugestões do cardeal Leme, do Rio de Janeiro.

A Igreja Católica, que tinha se acostumado com o dinheiro público desde a Colônia, nunca quis, então, abandonar o Governo, e Leme sabia manobrar o sagrado e o político exemplarmente.

CATÓLICA DE HOJE

Hoje, a Igreja Católica, na sua parte institucional – notadamente a CNBB – mudou muito em relação aos tempos de Getúlio para cá. O presidente dessa entidade que reúne bispos de todo o Brasil, mantém-se numa posição “de diálogo”, mas não de adesão ao governo. É o que diz o novo presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, 65, arcebispo de Belo Horizonte.

Para dom Walmor, a proposta da hierarquia com Bolsonaro será sempre de construção de “uma sociedade justa e solidaria, mas sem opção por partido político”.

A BÍBLIA DESENTERRADA

Enquanto observo movimentações teológicas em torno de bandeiras pró e contra Bolsonaro, mergulho num dos livros mais preciosos sobre a origem das escrituras bíblicas, “A Bíblia Desenterrada”, de dois arqueólogos israelenses, Israel Filkenstein e Neil Asher Silberman. O livro apresenta uma nova visão arqueológica do antigo Israel e da origem dos textos sagrados.

Apesar de editado por uma das melhores editoras do Brasil – a Vozes, dos padres franciscanos, fui seriamente advertido por um sacerdote muito zeloso e tridentino: “Cuidado para não perder a fé”.

Quase que lhe respondi – “sou cristão mas não sou burro”. Quase.

-o-o-o-

LÉXICO RELIGIOSO NAS REDES

Satanás, no centro das discussões

Além do universo da comunicação, poucos ouviram falar da AP/Exata, agência de inteligência em comunicação digital. No entanto, ela tem respeitabilidade, seu trabalho é acatado por clientes por ser bem fundamentado. Tem credibilidade. Por isso mesmo, não vejo sem preocupações recente revelação da empresa, resultado de ampla e segura pesquisa que fez sobre a incorporação de temas religiosos associados ao Governo Jair Bolsonaro.

Pesquisando as redes sociais, a Exata foi apontando, que as palavras mais usadas por pessoas em associação com o nome Bolsonaro trazem associações com Jesus, Abrão, Bíblia, Israel.

O campeão de citações é satanás, que os usuários de redes associam a mentiras ditas sobre o presidente.

A ideia é de que Bolsonaro “luta contra satanás”, diz a AP/Exata.

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