domingo, 5 julho, 2026
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Flávio Arns venceu eleição com apenas R$ 200 mil

Flávio Arns (REDE) já cumpriu, em outros tempos, oito anos como Senador da República, a maior parte do mandato pelo PT, o restante pelo PSDB, partido ao qual retornou depois de confessar-se desiludido com a legenda petista, que não cumprira a proposta inicial: não conseguia ser um partido de ética exemplar, muito menos promover a renovação da política brasileira como prometera em seus primórdios.

 

A escolha de Arns para voltar ao Senado em 2018 pode ser analisada sob mais de uma ótica.

A primeira, a de que sua escolha foi parte de um longo processo de rejeição nacional ao velho e surrado modelo político. Esta é a opinião, por exemplo, que recolho nesta terça, 2, do advogado e empresário Luiz Fernando de Queiroz e da jornalista Marleth Silva. Para os dois, a conjuntura psicológica da Nação teria sido a grande facilitadora da eleição de homens como Arns e Oriovisto para o Senado.

PENSANDO DIFERENTE

Há os que pensam diferente dos dois citados: Para esses, como eu, Flávio Arns é identificado como “um homem do bem”, uma avis rara neste quadrante da República. Por isso “foi escolhido”. Além, claro, do fato de ter um bom portfólio de serviços ao Paraná.

Quem tem essa visão também é o ex-diretor da Itaipu Binacional, ex-presidente da Telebrás e ex-ministro das Comunicações Fernando Xavier Ferreira: “O eleitor escolheu em Flávio Arns a figuração do político limpo, do bem”, disse.

“SETE OU OITO PESSOAS”

Flávio Arns tem suas peculiaridades, maneira muito sua de fazer campanha eleitoral. Na eleição de 2018, gastou apenas R$ 200 mil. A declaração dele, que deve constar na prestação de contas à justiça, não admite enrolações, sabem os que o conhecem.

E o senador se ufana: fez toda a campanha de carro ou de ônibus. Nunca usou avião, jamais helicóptero.

– Tenho bases e fontes de contato em todo o Paraná, cita Arns, respondendo sobre como conseguiu tanto voto.

Cita, como exemplo, que numa cidade, Califórnia, fez apenas uma reunião num domingo de manhã, “com sete ou oito pessoas”. Eram educadores, gente de movimentos religiosos, líderes comunitários.

– No abrir das urnas da cidade, tive votação maciça em Califórnia, diz Arns, garantindo que o método se repetiu em todo o Paraná, com o mesmo sucesso.

VAI PARA A RUA

Flávio tem uma equipe de funcionários bem azeitada, em Brasília e Curitiba. Na Capital, posso considerar que Rafael Eugênio Bertoldi, e a jornalista Melissa Guedes – formada pela referencial Universidade Metodista de São Bernardo -, comandam um time jovem e que dá resultados.

Arns se ufana de não dar expediente no seu escritório, em Curitiba, nem no gabinete, em Brasília: “Quando necessário, apenas, fico sentado atrás de uma escrivaninha. Meu negócio mesmo é ir às ruas, às bases, aos lugares em que moram e trabalham meus eleitores”, assegura.

MODELO FAMILIAR

Se o outro senador eleito – Oriovisto Guimarães – é bem equipado intelectualmente, Arns não lhe fica atrás. Tem um doutorado em Linguística, depois de três anos, conquistado nos Estados Unidos, além de ser professor da área de Letras da UFPR, onde trabalhou até ser empossado em 31 de janeiro.

– Meu modelo maior está em minha família, responde-me Flávio Arns, filho de um educador que formou gerações de paranaenses em colégios, como o Estadual do Paraná, e universidades, como a UFPR e PUCPR.

Além do pai, Arns fala com grande carinho de outros membros do clã Arns, tipos humanos diferenciados e com lugares assegurados na História do Brasil, como seus tios dom Paulo Evaristo Arns e a médica Zilda Arns, criadora da Pastoral da Criança. Isso sem falar em outros tios, como os professores Crisóstomo Arns e Otília.

Assim, definitivamente, Arns não foi uma mera escolha para rebater desilusões políticas. Acredito que o eleitor do Paraná o escolheu muito por seu padrão ético e por sua biografia exemplar.

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