
A morte de Mário De Maria surpreendeu muitos os que o conheciam e o consideravam uma fortaleza física e mental.
Morreu na quarta, 27, aos 96 anos, ainda muito lúcido.
O engenheiro foi um dos curitibanos mais influentes nos anos 1960/80, quando seu nome era associado a grandes empreendimentos empresariais, tempos em que também presidiu a FIEP.
A cidade foi-se verticalizando a partir de muitas construções de De Mari.
VELHA AMIGA
Para uma velha amiga de De Mari, que ouvi, guardando anonimato, como ela me pediu, “ele sempre foi um cavalheiro. Pode-se dizer que foi um dândi. Arrebatou muitos corações femininos”.
Tanto quanto um gentleman, e peça essencial na chamada alta sociedade curitibana daqueles dias, Mário De Mari foi, aos poucos, revelando sua alma de artista plástico bem qualificado. Seus óleos comprovam talento que o fez muito mais do que um “pintor de domingo”, aquele que faz arte por puro diletantismo.
Adalice Araújo não foi econômica em apreciar a obra de Mário De Mari.
VIOLÊNCIA DA TERRA
Nos dias em que o ouvi para meu livro Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses, ele se mantinha muito vigilante com relação ao derredor.
Tomás Barreiros, que levantou os primeiros passos do engenheiro para compor seu perfil, teve dificuldades para ser admitido na casa dele; e Mário veio à minha casa cercado de reservas, muitas precauções. Tudo por conta de uma violência sem fim: fora vítima de ladrões, que invadiram sua casa, agrediram-no, ameaçaram-no, para roubar.
Como decorrência do roubo e da violência, o engenheiro não carregava dinheiro nem cartões de crédito ou débito.
Por fim, deu uma substantiva entrevista histórica.
