
Fernando Xavier Ferreira, 70, um dos personagens do próximo volume 11 de meu livro ‘Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses’, foi sempre raridade na vida pública do Estado. Aos 30 anos, por exemplo, foi apontado vice-presidente da Telepar, a empresa estatal de telecomunicações que se tornou modelar no país. Pouco depois, presidente da empresa.
DENTRE OS PIONEIROS
Para esse tão precoce perfil contou muito ter ele sido um dos primeiros engenheiros de telecomunicações formados no país pelo pioneiro Curso de Telecomunicações da PUCRJ.
Depois passou a lecionar a matéria em universidades.
Difícil destacar os pontos mais salientes da carreira de Fernando Xavier, que foi também Ministro das Comunicações interino, presidente da Telebrás, presidente da espanhola Telefônica no Brasil e, não menos importante, ter presidido a Binacional Itaipu.
CORTANDO EXCESSOS
Para se ter ideia do raro administrador público que sempre foi Fernando Xavier Ferreira, chamo atenção para realidades que constarão do livro.
Uma delas, nas palavras de Xavier Ferreira:
“A Itaipu, em março de 1990, tinha 5,1 mil pessoas. Vim reduzindo esse pessoal, no orçamento que eu deixei aprovado e planejado para 1992 seria de 2,8 mil pessoas. Eu deixei com 3,3 mil funcionários. Fechei os escritórios no Rio e em São Paulo. Quando a Itaipu foi criada, fazia sentido, depois não mais. Fizemos plano de demissão voluntária. Diminui 54 cargos gerenciais. Reduzimos veículos oficiais. Era uma “folia”.
Reduzi para menos de 40% a frota. A redução do gasto foi de 11 para 3 milhões de dólares.”
REDUÇÃO IMPRESSIONA
Em complemento a esses dados citados, o personagem diz ainda:
“Isso tudo permitiu uma redução de 164 milhões de dólares entre o orçamento de 1990 e o aprovado para 1992.
No meu curto mandato, o Tratado de Itaipu exigia uma revisão do organograma da empresa. Diminuímos de 12 para 6 diretorias, dos dois países. Foi tudo aprovado, mas quando o Collor caiu e entrou o Itamar, o Paraguai exigiu que a mudança fosse cancelada e os 12 diretores continuaram, até hoje. Talvez seja revisto na próxima revisão…”
