quarta-feira, 1 julho, 2026
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O calçadão e as poças da discórdia

Elin de Queiroz: grande catequese
Elin de Queiroz: grande catequese

Em janeiro de 2017, poucos dias após a posse, o prefeito Rafael Waldomiro Greca de Macedo Greca, num ato genuinamente marqueteiro, lavou, com ajuda de mangueiras, um pequeno trecho do calçadão da Rua XV de Novembro, entre as ruas Barão do Rio Branco e Presidente Faria, por conta do mau cheiro provocado pelas fezes e urina presentes na região e motivo de fuga de turistas.

JAIME LERNER

Primeira rua do país reservada exclusivamente a pedestres, a partir de 1972, a Rua XV ganhou fama internacional – iniciativa do então prefeito Jaime Lerner, com o propósito de humanizar e priorizar o centro urbano, em detrimento do tráfego de veículos cada vez mais intenso.

LEMBRANÇA ESQUECIDA

Quarenta e seis anos depois, a magia do calçadão já não é mais a mesma. O piso, em Petit-pavê – denominação local encontrada para o original nome de pedras portuguesas – é irregular, defeituoso, guardião de imensas poças em dias chuvosos, motivo de quedas e escorregões pelos menos avisados.

SÓ TRADIÇÃO

A suposta alegação de que o tipo de piso remete à tradição lusa pouco importa por conta das pedras lisas pelo uso, provocando reclamos de mulheres que ali circulam com saltos altos que veem presos nos vãos e causa de pequenos acidentes pessoais.

A propósito: está mesmo viva ainda na memória dos curitibanos a forte influência portuguesa local, ou tudo se resume ao pavimento rústico e à única construção do gênero – a Casa Romário Martins, antigo armazém de secos e molhados – no Setor Histórico com suas igrejas?

PAVER, A SOLUÇÃO?

A irregularidade do piso do calçadão deve-se, nesse tempo, às sucessivas obras por conta das concessionárias e da própria Prefeitura, incapazes de restaurar o piso de forma homogênea e retilínea.

É MAIS SEGURO

Tradição lusitana à parte, a sugestão de quem ali circula é a troca das pedras portuguesas pelos mais seguros pavers – blocos de concreto instalados de forma homogênea e sem riscos de quedas ou escorregões.

É DEFINIDO EM LEI

Além de mais seguros, garantem manutenção mais fácil e barata. Tudo bem, não fosse um detalhe: a definição de que tipo de piso usar nas calçadas urbanas centrais está definida em lei há tempos aprovada na Câmara Municipal, que prevê que tipo de material está presente nas calçadas. Na Rua XV, se depender da lei, o tipo de pavimento não pode mudar.

O paver, para os atentos, já é o pavimento padrão de boa parte da extensão das ruas Marechal Deodoro e André de Barros, por exemplo.

JUSTIÇA A ELIN

E aqui quero fazer justiça ao grande trabalho desenvolvido pela geógrafa e empresária Elin de Queiroz, na primeira administração de Beto Richa na Prefeitura de Curitiba.

Ela fez uma grande pregação em torno da melhora das calçadas, e toda ela sugerindo a utilização do paver que, verdade, gradativamente está tomando lugar das calçadas de pedras portuguesas.

Greca “lavando o calçadão”
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