quarta-feira, 1 julho, 2026
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OPINIÃO DE VALOR: FAP tem dois programas de mestrado em cinema aprovados pela Capes

Por ELOI ZANETTI (*)

Marcos Camargo
Marcos Camargo

A FAP, Faculdade de Artes do Paraná, hoje conhecida como Campus de Curitiba II da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), teve dois programas de mestrado aprovados pela Capes. A resolução saiu agora em outubro. Os dois mestrados só foram aprovados devido a qualidade do corpo docente do Campus de Curitiba II, formado por doutores e pesquisadores, cujas produções acadêmicas e profissionais em suas áreas de atuação já estão bem consolidadas.

SÃO 26 CURSOS

Existem 26 cursos universitários de cinema no Brasil, dois estão no Paraná. Um em Foz do Iguaçu, na Unila, e outro aqui em Curitiba. Cursos livres de cinema contam-se às dezenas, entre eles está o Curso do Centro Europeu funcionando desde 2007 e a Hollywood Film Academy (https://www.hfabrasil.com.br/) com um amplo portfólio de cursos: fotografia, dublagem, interpretação, direção, efeitos especiais, roteiro, etc. Cursos técnicos públicos e gratuitos de audiovisual existem também no Colégio Estadual do Paraná e no Instituto Federal do Paraná.

CINEMA: MUITO MAIS QUE DIRETOR

O Mestrado em Cinema e Artes do Vídeo vai permitir a qualificação profissional de técnicos e criativos da indústria digital. Esses mestrados vêm em boa hora, há uma demanda reprimida de especialistas em audiovisual, pois há muitos anos os profissionais da área no Paraná têm ido buscar qualificação em outros estados e até em outros países. Essa situação está mudando e com ela a nossa timidez em mostrar expressões artísticas locais.

JOVENS E BEM PREPARADOS

Partindo do princípio: primeiro se domina a técnica para depois se dominar a arte, jovens cineastas estão fazendo belas carreiras: O ex-aluno Aly Muritiba veio da Bahia para se especializar em Curitiba e, hoje, seus filmes conquistam prêmios onde são exibidos; entre eles o Global Filmmaking no Festival de Sundance (2013), o curta-metragem “A Fábrica” foi semifinalista ao Oscar (2013), “Para minha Amada Morta” foi vencedor em sete prêmios, incluindo o Festival de Brasília, Montreal e San Sebastian. “Ferrugem”, conquistou em agosto o prêmio Kikito de Melhor Filme no Festival de Cinema de Gramado.

A GRAFO AUDIOVISUAL

Aly foi aluno do Bacharelado em Cinema e Audiovisual da FAP/Unespar, onde encontrou Marisa Merlo e Antonio Junior e criaram a Grafo Audiovisual, que além de produzir todos os seus filmes é responsável pelo Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, hoje um dos mais importantes do Brasil.

O Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná compreende os níveis de mestrado (criado em 2000) e doutorado (2010), articulados em uma única área de concentração – Processos Comunicacionais – e em duas linhas de pesquisa: Estudos de Cinema e Audiovisual e Processos Mediáticos e Práticas Comunicacionais.

O programa tem conceito 5, atribuído pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior da Capes e o curso de doutorado é o único em comunicação no Paraná, sendo, no ano de sua fundação, o 15° curso criado no Brasil.

OBS. Conceito 5 é um dos mais altos atribuídos pela Capes nas avaliações de pós-graduação.

TEATRO ABASTECE GRANDES CENTROS

Com a possibilidade da formação de profissionais de cinema na cidade, vale lembrar que fenômeno semelhante já ocorreu no teatro, que em priscas eras recebia apoio dos governadores Ney Braga, Paulo Pimentel e Jaime Lerner. Esta atenção oficial, que partia de exemplo dos próprios mandatários, ajudou a formar e distribuir para os grandes centros teatrais, SP e RJ, técnicos curitibanos experts em várias atividades do setor como contrarregras, eletricistas, carpinteiros e iluminadores. O expoente máximo da categoria e um dos mais requisitados é o premiadíssimo iluminador Beto Bruel. Isso, sem falar em um elenco de atores de primeira linha trabalhando em grandes redes de TV e teatros no eixo Rio-São Paulo.

75% DA PERCEPÇÃO DO MUNDO

O professor em semiótica e filósofo Marcos Camargo afirma: “A cultura da imagem ganha força a cada lançamento de um aparelho digital novo. A tecnologia está permitindo melhores imagens, mais facilidade de manuseio e menores custos. Hoje tornou-se tão importante comunicar por meio de imagens como por meio de palavras. Estamos saindo de uma era da letra, para uma era da imagem, sem, no entanto, abandonar a primeira era.”

A produção áudio visual vai dominar cada vez mais o cenário da comunicação e se tornar uma das principais plataformas do marketing.

Estudos revelam que quase 80% de todo o tráfego global da Internet é de pessoas assistindo vídeos. E cinema profissional não é só ficção – hoje, mais do que nunca empresas precisam de pequenos vídeos para tutoriais ou documentais para vender seus serviços e produtos. O mercado é imenso.

FILM COMMISSION

“Curitibano não se junta nem para fazer bolo esportivo”.

A frase do jornalista já falecido Nireu Teixeira sintetiza a ainda não constituição de um Film Commission em Curitiba. Diversas reuniões capitaneadas pela Fundação Cultural já aconteceram sem se chegar a um resultado final. Enquanto o pessoal de Curitiba só fica no vamos ver, São Paulo, Rio, Goiânia, Pirenópolis, Fortaleza, Niterói, Paulínia e outras regiões já deslancharam nas suas intenções.

A ideia de atrair e facilitar os produtores de cinema para divulgar uma cidade ou região começou em Nova York e se espalhou pelo mundo. Hoje dezenas de cidades ajudam na produção de filmes desde que o ambiente a ser filmado aconteça na região. As facilidades vão do apoio logístico como a interdição de uma rua ou bairro para filmagens, a colocação à disposição de seguranças e até tropa para figuração em batalhas.

Vantagens fiscais, de crédito, banco de dados de profissionais locais, menos burocracia e até descontos em hospedagens a alimentação para as equipes são itens que facilitam e atraem produtores de filmes. Tudo isso compensa porque o ganho social e cultural para a cidade que hospeda e facilita a produção de filmes é imenso.

NOVA YORK SÓ GANHOU

Com este conceito e, bem aplicado, Nova York tornou-se uma das cidades mais divulgadas e visitadas no mundo. Os benefícios de atração turística na Nova Zelândia foram imensos desde que a trilogia O Senhor dos Anéis foi filmada em suas terras, graças a um bem organizado e eficiente Film Commission local. Idem para Paris que sempre está em algum filme – Wood Allen tem se aproveitado bem dessas facilidades. Os filmes de James Bond que sempre saem carregados de merchandising começam com uma perseguição em algum lugar turístico do mundo. Assim foram as últimas filmagens no Deserto de Atacama, Istambul e Cidade do México. A consolidação de um Filme Commission atuante ajudaria muito na contratação desta mão de obra que está saindo para o mercado, além de promover nossa cidade.

CURITIBA, UM BOM CENÁRIO

Apesar da fama de cidade onde chove muito, grande parte do ano, principalmente no outono e inverno, Curitiba é banhada por uma belíssima luz impressionista, própria para a captação de imagens. Além de apresentar bons cenários para cenas externas: parques e praças bem cuidados, fachadas de casarios antigos em bom estado e edificações modernas. Filmes como “Curitiba Zero Grau” do Eloi Pires Ferreira, o “Estômago” e a série da Netflix, de José Padilha “O Mecanismo” já são suficientes para mostrar o quanto nossa cidade é fotogênica.

(*) ELOI ZANETTI, publicitário, homem de marketing, escritor e palestrista. Criou a marca “Bicho do Paraná”, com Sergio S. Reis. Esteve nos primeiros anos de O Boticário e foi um dos coordenadores da Umuarama Publicidade, que deu sustentação ao Antigo Banco Bamerindus do Brasil. Foi personagem do livro “Vozes do Paraná – Retratos de Paranaenses”.

Grupo de estudantes
Grupo de estudantes
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Cinegrafista
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Filmando culinária
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Curitiba Zero Grau
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Aula de filmagem
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Tomada perfeita
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Tomada externa

 

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