quarta-feira, 1 julho, 2026
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Federação israelita não fica com candidatos, só com visão democrática

“Os judeus daqui são basicamente brasileiros. Como tal, têm variadas opiniões políticas e apoiam variadas candidaturas presidenciais”, garantiu-me nesta quarta-feira, 3, o engenheiro agrônomo Isac Baril, presidente da Federação Israelita do Paraná (especialista em segurança alimentar), respondendo à minha pergunta: – “os judeus estão com Bolsonaro, como se propaga intensamente em jornais e redes sociais?”

NÃO É VERDADE

Para Baril, nada menos verdadeiro do que essa suposta posição em favor de Bolsonaro. Reconhece que há nomes expressivos da comunidade – que reúne 120 mil pessoas, no país, sendo 3 mil delas em Curitiba – que podem estar com o capitão do PSL, assim como com Haddad, o candidato do PT. Mas não há posição oficial em torno de qualquer candidato, disse.

FICA COM CONIB

Baril é fiel à posição assumida pela Confederação Israelita do Brasil (CONIB), à qual a Federação é filiada: “não tomamos posição senão em defesa de teses que nos interessam a todos, como a manutenção da democracia arduamente conquistada”.

E deixou claro: “Neste momento, a Federação reafirma seu respeito à opinião e aos ensinamentos éticos; somos brasileiros e democratas, queremos paz e progresso”.

PROTESTO EM SÃO PAULO

Se a posição de Baril reflete o esperado por parte de uma comunidade que não se envolve em imbróglios políticos, o mesmo não se pode dizer do grupo de judeus que reuniu sábado, no Largo da Batata, em São Paulo, marcado por pesadas críticas – e palavrões – contra Jair Bolsonaro.

A manifestação, com cerca de 50 pessoas, foi liderada por uma jovem estudante, Amanda Hatzyra, coordenadora de uma denominada Frente Feminina Judaica.

Individualmente, aquela estudante e outros manifestantes judeus (culturalmente judeus pela religião e tradições) “se pronunciam como quaisquer outros brasileiros”, como me observou o professor e empresário (Casa Coelho) Antonio Carlos da Costa Coelho, de Curitiba.

NÃO É SUPRESA

Assim, Coelho não mostra surpresa que alguns nomes expressivos da comunidade judaica de São Paulo – como Meyer Nigri – “tenham eventualmente apoiado algum candidato”.

No caso, o apoio foi para Bolsonaro, como ele declarou à revista Piauí.

Outros membros da comunidade judaica de Curitiba, ouvidos – mas que pediram ficar no anonimato – “essa gente se expressa como brasileiro. E o brasileiro tem muitas opiniões. Os judeus daqui podem estar na média dos brasileiros, 30% ou pouco mais, com Bolsonaro”, opina uma empresária de bijouterias.

RABINO COM LULA

Essa diversidade de opiniões, por exemplo, já levou um rabino a visitar Lula na prisão acompanhado de outros judeus.

Extra oficialmente, fontes da CONIB ouvidos pela coluna admitem que “as promessas de Bolsonaro de mudar a embaixada do Brasil para Jerusalém pode ter tido o condão de captar muitos judeus.”

FRASES DE EFEITO

Já Benjamin Seroussi, 38, diretor da Casa do Povo, espaço cultural histórico da comunidade judaica de Bom Retiro, São Paulo, a visão é outra sobre o capitão: “Não sou pautado por frases de efeito de Bolsonaro. Ele é vazio de conteúdo, não trata do processo de paz (em Israel e Cisjordânia), … quer atingir parcelas conservadoras por meio de falas que parecem defender a repressão que ele apoia”.

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