
Uma nova estrela destaca-se na constelação política do país às vésperas das eleições de outubro. É a Confederação dos Pastores do Brasil, presidida pelo líder da Igreja Sara Nossa Terra, bispo Robson Rodovalho, instituição que, assim, sai do armário: acaba de se manifestar oficialmente em apoio à candidatura de Jair Bolsonaro.
Para Rodovalho, o capitão do PSL, identificado como político de ultradireita, seria o único nome “capaz de colocar um freio de arrumação no Brasil”.
Rodovalho, que até tem um bom perfil universitário, com formação em Física, bem ao contrário de como encara hoje o candidato Fernando Haddad (PT), fez em 2012 um amplo manifesto apresentando-o como o melhor nome para a Prefeitura de São Paulo. No texto de exaltação ao político a quem hoje execra, o bispo teceu boas aos governos Lula e Dilma, qualificando-os de “extraordinários”. Hoje refere-se aos dois de maneira inversa.
Esclareça-se: a citada Confederação não é abrangente no mundo evangélico. Representa e aglutina pastores pentecostais e neopentecostais.
HISTÓRICOS À PARTE
A Confederação dos Pastores do Brasil reúne pastores de igrejas pentecostais e neopentecostais, como a Internacional da Graça de Deus, a Universal, segmentos da Assembleia de Deus – As chamadas igrejas históricas não se ligam à instituição que apóia Bolsonaro.
As chamadas igrejas do protestantismo histórico são, entre outras: a Presbiteriana do Brasil, Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, Igreja Evangélica da Confissão Luterana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Metodista do Brasil.
PRESBITERIANOS
Para o secretário nacional da Igreja Presbiteriana do Brasil, reverendo curitibano Juarez Marcondes – presidente do Conselho Curador da sociedade educacional Mackenzie -, “nada temos a ver com essa entidade nem com a posição política que adota.”

O pastor principal da Presbiteriana Central de Curitiba (Rua Comendador Araújo) deixa claro que, também, sua denominação não apóia nenhum candidato a presidente da República ou a outros cargos eletivos. O trabalho da IPB, explicou, é de orientar sua membresia sobre o exercício político, obrigação do cristão, em busca de valores que são evangélicos.
Os presbiterianos da IPB, esclareceu ainda o pastor Juarez Marcondes, ligam-se, isto sim, a organizações como a Aliança Mundial de Igrejas Reformadas, com sede em Atlanta, Geórgia, assim como a outras instituições da mesma linha reformada existentes em outros país.
Mas não nos sujeitamos a outras instituições”, acentua Juarez, lembrando que no país a IPB guia-se pelas normas definidas pelo Supremo Concílio do Brasil. “E ele não adota posições partidárias”, diz. Entende, isso sim, explica, que a igreja tem papel de formação de consciências, “mas sem assumir compromissos partidários”. Na hora que a igreja partidária, se acentua, “tende a se dividir, a romper a unidade”.
OS INDEPENDENTES
Posição semelhante à da IPB tem a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, foi o que garantiu à coluna o reverendo Jean Carlos Selleti, presidente do Sínodo Sul-Paraná, que é pastor em São José dos Pinhais e que por anos coordenou o extinto Curso de Teologia da Faculdade Evangélica do Paraná.
Quadro de grande expressão em sua igreja, o teólogo Jean Selleti é também advogado militante e mestre em Bioética pela Universidade de Brasília.
– Não trabalhamos por candidaturas e/ou candidatos. A Igreja libera as consciências de seus membros para uma livre escolha. Claro que, em linhas gerais, valorizamos, e damos a conhecer, qualidades básicas que devem identificar candidatos, como a perseguição do bem comum, assinalou Jean.
