domingo, 11 janeiro, 2026
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DOS LEITORES: MORTE DE ELIEZER BATISTA

Prezado Aroldo,

Elgson Ribeiro Gomes; Eliezer Batista; Luiz Julio Zaruch
Elgson Ribeiro Gomes; Eliezer Batista; Luiz Julio Zaruch

O engenheiro Eliezer Batista, que morreu nesta segunda-feira 18/6 no Rio de Janeiro aos 94 anos, e que foi presidente da Vale e ministro (de Minas e Energia, no governo João Goulart, e de Assuntos Estratégicos, no governo Fernando Collor), mineiro de Nova Era, viveu alguns anos em Curitiba, onde diplomou-se pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Paraná, em 1948.

Pela sua presença sempre elegante, o chapéu e a pose lembrando um galã russo, foi apelidado pelos colegas de Bóris Bacana. Era assíduo frequentador do famoso Chá Dançante de Engenharia, que animava as noites dos domingos nos salões da Sociedade Duque de Caxias, na esquina das ruas Dr. Muricy e José Loureiro.

O BARÃO

Eliezer Batista falava russo e se intitulava ‘Sua Excelência, o barão Bóris Vasilevich’, como lembrou certa vez o arquiteto Elgson Ribeiro Gomes. Brincando, chamava os amigos de ‘moujiks’ (gente comum da rua).

Em homenagem a ele, os colegas fundaram o PNB – Partido Nacional dos Bacanas, cujo presidente vitalício era o engenheiro Otto Hildebrando Doetzer.

A participação de Eliezer no Chá Dançante de Engenharia abre o segundo volume do livro “Instituto de Engenharia do Paraná – Um pioneiro a caminho do centenário”, publicado em 2017, que escrevi a convite do IEP e cujo capítulo inicial – “Os embalos dos domingos à noite” – reproduzo em meu blog (juliozaruch.com.br).

Também o arquiteto Elgson Ribeiro Gomes (1922-2014) fala dele no livro “O Telhado lá de Casa” (2015), organizado por seu filho, o arquiteto Péricles Varella Gomes.

CHÁ DANÇANTE

Descreve-o como “um estudante exótico, que falava sete línguas, de compleição atlética e braços ligeiramente curtos (…) Sentado em uma mesa no Chá Dançante de Engenharia, tirava do bolso uma piteira extensível e soltava fumaça no ombro de alguém na mesa vizinha”.

A última visita de Eliezer a Curitiba foi em novembro de 2004, quando proferiu palestra na Semana da Engenharia e da Arquitetura. Em sua companhia estava o ex-ministro da Previdência Social Rafael de Almeida Magalhães, que foi genro do ex-governador Bento Munhoz da Rocha Neto e de dona Flora. Batista e Magalhães eram parceiros de negócios.

Aproveito para enviar o link com um breve relato sobre o Chá Dançante de Engenharia.

JULIO ZARUCH, jornalista, Curitiba

http://www.juliozaruch.com.br/cha-dancante-de-engenharia-os-embalos-dos-domingos-a-noite/

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SERVIÇOS DO ICI

Comentários do professor da UFPR Élson Faxina, jornalista, e seu irmão Adilson – igualmente jornalista, a propósito de matéria que a coluna publicou sobre os serviços prestados pelo ICI à Prefeitura de Curitiba:

ADILSON FAXINA:

Elson Faxina, lembra o que conversamos sobre a falta de integração das secretarias municipais, que trabalham como se fossem órgãos independentes? Sonho! Olha o real interesse dos gestores públicos (e privados)!

ELSON FAXINA:

E tudo isso pra prestar um dos piores serviços de informático que já conheci. Eu e meu mano Adilson Faxina vivemos isso na carne durante a construção de nossas casas. A gente dá entrada com um pedido numa secretaria municipal; quando está pronto o que foi solicitado, a gente mesmo tem que ir lá, retirar o pedido e levar a outra secretaria; aí, se a “nova” secretaria diz que falta algo (e sempre falta) é a gente que tem que voltar na secretaria anterior e pedir o novo documento; aí a gente “volta a retornar” à segunda secretaria. Quando esta despacha, a gente vai lá, retira o tal documento e leva à terceira secretaria; e todo o processo se repete nessa triangulação entre Meio Ambiente, Urbanismo, Finanças… Aliás, no nosso périplo se deram coisas que até Deus duvida: a secretaria de Urbanismo necessitava de um comprovante de pagamento de IPTU, que já tinha sido feito e com autenticação bancária.

Élson Faxina, PhD em Comunicação, professor da UFPR, Curitiba
Élson Faxina, PhD em Comunicação, professor da UFPR, Curitiba

Tivemos que ligar na Secretaria de Finanças e agendar um pedido, que foi marcado para 15 dias úteis depois. No dia marcado fomos lá e, em um minuto e 52 segundos (marcados no relógio), o técnico imprimiu e nos deu a cópia. Aí então “voltamos a retornar” (o que fizemos por nove vezes) à mesma secretaria. Aliás, coisas como essas são corriqueiras. Nós dois andamos pelo menos umas 30 vezes entre uma e outra secretaria ou órgão municipal, retirando documentos e levando a outra da mesma prefeitura.

Ora, um sistema de informática, desses que qualquer moleque faz hoje, resolveria tudo isso. Bastaria o cidadão dar entrada numa secretaria e o processo andaria internamente, bastando acionar o cidadão quando necessitasse e novos documentos ou pagamentos, e tudo isso online. Mas estamos pagando e muuuuito caro por esse tal ICI para ter um dos piores serviços que uma prefeitura pode oferecer. E olha que sai prefeito e entra prefeito e a coisa se repete. Incompetência não é, só pode ser interesse pessoal mesmo, ou de grupos, ou melhor, de corjas!

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