segunda-feira, 18 maio, 2026
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PREVISÍVEL, BRASIL VÊ NEYMAR CAIR E SUÍÇA ‘EMPURRAR’ EMPATE

Bandeiras do Brasil e da Suíça hasteadas em centro comercial de Curitiba (a Galeria Suissa): prognóstico certeiro.
Bandeiras do Brasil e da Suíça hasteadas em centro comercial de Curitiba (a Galeria Suissa): prognóstico certeiro.

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As bandeiras hasteadas no alto do prédio da Galeria Suissa, na manhã deste domingo (17) em Curitiba (acima e no detalhe), antecipavam o que viria. Caídas e encharcadas no quase-inverno de nossa desesperança elas traduziram perfeitamente o que foi a estreia da seleção brasileira diante da Suíça na Copa do Mundo da Rússia.

CHATO DE DOER

Chato. O futebol há muito liga-se a essa palavra e Neymar dela está impregnado. Julgava-se que, nos campos europeus, ele enterraria a sua fama de “cai-cai”. Pois ressuscitou-a. Jogando um futebol que se resumia a prender a bola e esperar que um jogador adversário o derrubasse ou “justificasse” a sua queda – sempre circense -, ele abusou da paciência do torcedor e de seus companheiros de time. Por quê? Pergunte para Tite. Primeiro, por não ordenar que o jogador distribuísse a bola. Segundo, por não substituí-lo quando o próprio treinador admitiu, um dia antes da estreia da equipe no Mundial, que ele não estava 100%. Convenhamos, na escala do futebolitômetro ele não bate nem na metade disso.

O QUE SERIA E NÃO FOI

Philippe Coutinho deu a deixa do que a seleção brasileira poderia ser e não foi, logo aos 20 minutos, quando abriu o placar do jogo chutando de fora da área. Foi só, ao menos na etapa inicial. No segundo tempo, quando já cedera o empate, a equipe chutou outras quatro vezes no gol da Suíça, três delas para fora.

TRISTE, MACAMBÚZIA

Se havia um excesso de confiança por parte do torcedor na seleção formada por Tite, o que era justificável tal o retrospecto de vitórias, ele já esmoreceu tal e qual o lábaro estrelado que pende macambúzio no mastro da Galeria Suissa, centro da capital. É certo: a bandeira Suíça pende idêntica, mas do seu selecionado não se esperava nada. Ou muito pouco.

O CABELEIREIRO É GENIAL

Em tempo politicamente incorreto, dir-se-ia que a tintura do novo penteado de cabelo de Neymar (loiro) influenciou decisivamente em seu futebol. Mas não é de hoje que ele vai mal das pernas. O Paris Saint Germain investiu zilhões no atacante de 26 anos e ele ainda não justificou a dinheirama (sorry, o campeonato francês não conta). Paulo Francis cunhou frase para o Cinema Novo: “O filme é uma m…, mas o diretor é genial”. O mesmo poderia ser dito sobre o futebol que grassa no mundo: “O time é uma m…, mas o cabeleireiro é genial”.

O JUIZ DE TV

Houve um empurrão em Miranda no gol de empate da Suíça? Parece que sim. Mas o zagueiro brasileiro não saiu no chão. E poderia. Gabriel Jesus sofreu pênalti? Parece que sim. O juiz (um mexicano) entendeu que não e sequer cogitou acionar a novidade tecnológica do campeonato: o juiz de TV. Não ousou também olhar para o telão do estádio, apesar da insistência dos jogadores brasileiros em apontá-lo. Vá entender.

HOMEM-BALA

Nada justifica, entretanto, o futebolzinho medíocre da seleção e, em especial, de Neymar, ao insistir no individualismo e nas jogadas pelo meio. Tudo o que jamais constou no manual de Tite, do contrário ele não teria valorizado tanto o homem-bala William.

UM PULGÃO

Se não existia sequer uma pulga atrás da orelha do torcedor brasileiro, agora há um batalhão. A principal delas diz que a Costa Rica, no dia 22, virá pronta para arrancar um empate e já entendeu como se faz isso: basta deixar que Neymar se encarregue de tentar costurar o time inteiro sem se preocupar com a elementar “tabelinha” ou “um-dois”.

A MEDIANIA QUE FAVORECE

A sorte é que as equipes que se apresentaram até agora (Alemanha inclusive) são só pouco mais que medianas e a mediania dá ao time brasileiro alguma vantagem. Na média, o Brasil já foi muito melhor do que isso. Na média também foi pior. E levou o caneco. Vide 1994.

P.S.: Até agora os sul-americanos só venceram um jogo no Mundial. Contra dois empates e uma derrota.

 

 

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