Assessoria – Em 2026, o Brasil completa 120 anos de uma história que começou com experimentos de adaptação de espécies exóticas e se transformou em uma das principais cadeias produtivas florestais do país e do mundo. O marco histórico está associado ao trabalho do naturalista sueco Alberto Löfgren, que, em 1906, publicou a obra “Notas sobre as plantas exóticas introduzidas no Estado de São Paulo”. O estudo registrava 16 espécies de Pinus presentes em experimentos e se tornou uma das primeiras referências documentais da cultura do Pinus no país.
Naturalista nascido na Suécia, Löfgren veio para o Brasil no século XIX e atuou na Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo. Também esteve à frente do Horto Botânico da Cantareira, estrutura que posteriormente daria origem ao atual Instituto Florestal. Seu trabalho estava ligado não apenas à identificação de espécies, mas também à pesquisa sobre sua adaptação às condições brasileiras.
Experimentos vieram da América do Norte e América Central
O gênero Pinus não possui uma única origem geográfica. As espécies utilizadas nos experimentos brasileiros vieram principalmente da América do Norte e da América Central, além de outras regiões posteriormente incorporadas aos programas de pesquisa. O Instituto Florestal registra que os estudos brasileiros envolveram espécies provenientes dessas regiões e, ao longo do tempo, diferentes procedências foram avaliadas quanto à adaptação climática, crescimento e qualidade da madeira. A própria pesquisa florestal brasileira posteriormente passou a testar materiais provenientes dos Estados Unidos, México, América Central, Caribe e Ásia.
O uso econômico em larga escala seria construído décadas depois, a partir de programas de pesquisa e da identificação das espécies mais adaptadas às condições brasileiras.
A transformação começou quando a experimentação deixou de observar apenas a adaptação das árvores e passou a buscar espécies adequadas à produção de madeira. A necessidade era concreta: a exploração histórica das florestas nativas havia reduzido a disponibilidade de espécies utilizadas pela indústria, entre elas a Araucaria angustifolia, o pinheiro-brasileiro.
O Instituto Florestal aponta que uma das razões para a introdução do Pinus foi justamente a necessidade de produzir madeira para abastecimento industrial, processamento mecânico, madeira serrada e laminada, painéis e celulose e papel.
A partir de 1936, os estudos ganharam novo impulso em São Paulo, com a introdução de sementes de Pinus elliottii e Pinus taeda. Mais tarde, essas espécies se destacaram no Sul e no Sudeste pela adaptação, crescimento e características da madeira.
Foi, portanto, um processo gradual. Ao longo das décadas, pesquisadores passaram a avaliar solo, clima, regime de chuvas, resistência a pragas, produtividade, qualidade da madeira e diferentes materiais genéticos. O resultado foi a seleção de espécies e procedências mais adequadas a cada região.
Uma árvore, múltiplos produtos

A trajetória do Pinus também é a história da transformação de uma matéria-prima em uma cadeia industrial diversificada. Atualmente, a madeira pode ser destinada à produção de serrados, compensados, painéis, móveis, portas, janelas, molduras, papel e celulose, embalagens e produtos utilizados na construção civil.
O aproveitamento não termina na madeira de maior diâmetro. Diferentes partes da árvore podem seguir para diferentes processos industriais, enquanto resíduos e materiais de menor dimensão podem ser utilizados para geração de energia.
A cadeia também avançou para produtos de maior complexidade tecnológica. Resinas de Pinus são utilizadas na produção de insumos para tintas, vernizes, colas e essências. Pesquisas com lignina, celulose microfibrilada e nanocelulose ampliam as possibilidades de utilização da espécie em novos materiais e aplicações industriais, inclusive na indústria de medicamentos, cosméticos e alimentos.
120 anos de pesquisa e transformação
Ao olhar para essa trajetória, 1906 representa o início documentado de uma longa jornada científica. O resultado pode ser medido também pela eficiência: a produtividade média dos plantios brasileiros de Pinus chega a 31,1 m³ por hectare ao ano.
Essa evolução ajuda a explicar por que o Pinus ocupa hoje uma posição tão diferente daquela observada no início do século XX. A árvore, que começou sendo testada em diferentes ambientes, passou a integrar uma cadeia diversificada. “Os 120 anos não contam apenas a história de uma espécie introduzida no Brasil. Contam a evolução de um conhecimento construído ao longo de gerações. A trajetória do Pinus foi marcada por experimentação, adaptação, ciência e transformação industrial. Hoje, seus produtos estão presentes em diferentes dimensões da vida cotidiana e a cadeia formada em torno da espécie tornou-se parte da história econômica e florestal do país”, diz o presidente da APRE Florestas, Fabio Brun.
