Por Eloi Zanetti – eloizanetti@gmail.com – Em essência, cerveja e chope são a mesma coisa. Ambos levam malte, lúpulo, fermento e água. A diferença é que a cerveja é pasteurizada – aquecida a 60 graus e em seguida resfriada. Processo que garante o controle da fermentação e permite engarrafamento e armazenamento. Já o chope dura no máximo dez dias.
Oferecer uma pro santo é coisa antiga
A palavra cerveja deriva do nome da deusa romana Ceres. Os romanos adoravam uma bebidinha e viviam, como dizia Humphrey Bogart, sempre a uma dose a mais. Deve ser por isso que conquistaram o mundo. A bebida já era consumida na Mesopotâmia – atual Iraque – há 6 mil anos. Era usada como moeda e oferenda aos deuses. Oferecer “uma pro santo” é coisa antiga. Foram os monges que na Idade Média aperfeiçoaram o produto, dando o aroma e o sabor que conhecemos atualmente. O chope que você toma hoje é muito parecido com o que se tomava há 300 anos.
Depois houve a invenção da pasteurização. Você se lembra do Louis Pasteur das aulas de biologia? É o próprio. Pois, graças a ele, nasceu a bebida que pode ser servida de duas maneiras: o chope, bebida fresca e recém-fermentada, ou a cerveja, pasteurizada e engarrafada. A cerveja Pilsen tem o nome de uma cidade na República Tcheca, local onde foi inventada a sua técnica: sabor leve, suave e de coloração mais clara.
A palavra chope (shoppen) quer dizer copo de cerveja
A palavra chope entrou no vocabulário brasileiro há mais de um século por causa da palavra alemã – schoppen – que quer dizer “copo de cerveja”. Olha só como são as coisas, de copo em copo a gente vai colocando palavras no dicionário. No fundo, todas as grandes reformas da humanidade nasceram na mesa de um bar.
Os tipos de cervejarias

Até pouco tempo cerveja era cerveja, chope era chope e estávamos conversados. A opção era pouca e tínhamos de nos contentar com o que havia no mercado. Como a única coisa certa no mundo é a mudança, a bebida mudou para melhor. Olha só os tipos de cervejarias:
- Caseira
Um novo hobby em que o praticante faz a sua própria cerveja em casa. Uma onda que nasceu nos Estados Unidos e Canadá. Em Curitiba há muito tempo as famílias imigrantes – alemãs e polonesas – faziam cerveja em casa. Quem experimentou jamais esquece o sabor. Arghhhh!!! – coitados dos nossos avós. - Artesanal
São cervejas produzidas em menor escala. Por isso merecem maior atenção, capricho e cuidado na hora da fabricação, sempre em volume limitado e distribuição restrita a uma região. - Especial ou gourmet
Foca na qualidade do produto sem a adição de aditivos químicos, como estabilizantes, corantes e aromatizantes. Segue métodos que reproduzem estilos tradicionais. Bons apreciadores de cerveja correm atrás de novas experiências, estudando as relações de coloração, aroma e sabor. - Popular
São fábricas gigantescas que visam atingir o maior número de consumidores. Focam nas vendas em massa e por isso oferecem pouco em relação aos aromas, coloração e sabores. Quem se acostuma à cerveja artesanal dificilmente volta para as populares. - Premium
O que faz a diferença é a qualidade dos ingredientes e o processo de produção. Cada cervejaria apresenta a sua. Você escolhe e decide se ela merece mesmo o nome que recebeu.
A Família Real portuguesa, além de trazer muita gente para o Brasil e permitir a invenção das piadas de português, também trouxe a cerveja que veio com as tavernas, as precursoras dos botecos. Antes disso, nossos antepassados só consumiam vinho e aguardente. Criamos o gosto pela cerveja e hoje somos um dos maiores consumidores “da loira” no mundo. Um produto como a cerveja num país tropical, quente, cheio de praias e povo alegre tinha tudo para dar certo. E deu.


Eloi Zanetti é escritor, palestrante, especialista em marketing e comunicação corporativa. Contato: eloizanetti@gmail.com
