quinta-feira, 1 outubro, 2026
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Cerveja ou chope. Beba, mas não faça confusão

Por Eloi Zanetti – eloizanetti@gmail.com – Em essência, cerveja e chope são a mesma coisa. Ambos levam malte, lúpulo, fermento e água. A diferença é que a cerveja é pasteurizada – aquecida a 60 graus e em seguida resfriada. Processo que garante o controle da fermentação e permite engarrafamento e armazenamento. Já o chope dura no máximo dez dias.

Oferecer uma pro santo é coisa antiga

A palavra cerveja deriva do nome da deusa romana Ceres. Os romanos adoravam uma bebidinha e viviam, como dizia Humphrey Bogart, sempre a uma dose a mais. Deve ser por isso que conquistaram o mundo. A bebida já era consumida na Mesopotâmia – atual Iraque – há 6 mil anos. Era usada como moeda e oferenda aos deuses. Oferecer “uma pro santo” é coisa antiga. Foram os monges que na Idade Média aperfeiçoaram o produto, dando o aroma e o sabor que conhecemos atualmente. O chope que você toma hoje é muito parecido com o que se tomava há 300 anos.

Depois houve a invenção da pasteurização. Você se lembra do Louis Pasteur das aulas de biologia? É o próprio. Pois, graças a ele, nasceu a bebida que pode ser servida de duas maneiras: o chope, bebida fresca e recém-fermentada, ou a cerveja, pasteurizada e engarrafada. A cerveja Pilsen tem o nome de uma cidade na República Tcheca, local onde foi inventada a sua técnica: sabor leve, suave e de coloração mais clara.

A palavra chope (shoppen) quer dizer copo de cerveja

A palavra chope entrou no vocabulário brasileiro há mais de um século por causa da palavra alemã – schoppen – que quer dizer “copo de cerveja”. Olha só como são as coisas, de copo em copo a gente vai colocando palavras no dicionário. No fundo, todas as grandes reformas da humanidade nasceram na mesa de um bar.

Os tipos de cervejarias

Cerveja Superioren – MKT Bodebrown

Até pouco tempo cerveja era cerveja, chope era chope e estávamos conversados. A opção era pouca e tínhamos de nos contentar com o que havia no mercado. Como a única coisa certa no mundo é a mudança, a bebida mudou para melhor. Olha só os tipos de cervejarias:

  • Caseira
    Um novo hobby em que o praticante faz a sua própria cerveja em casa. Uma onda que nasceu nos Estados Unidos e Canadá. Em Curitiba há muito tempo as famílias imigrantes – alemãs e polonesas – faziam cerveja em casa. Quem experimentou jamais esquece o sabor. Arghhhh!!! – coitados dos nossos avós.
  • Artesanal
    São cervejas produzidas em menor escala. Por isso merecem maior atenção, capricho e cuidado na hora da fabricação, sempre em volume limitado e distribuição restrita a uma região.
  • Especial ou gourmet
    Foca na qualidade do produto sem a adição de aditivos químicos, como estabilizantes, corantes e aromatizantes. Segue métodos que reproduzem estilos tradicionais. Bons apreciadores de cerveja correm atrás de novas experiências, estudando as relações de coloração, aroma e sabor.
  • Popular
    São fábricas gigantescas que visam atingir o maior número de consumidores. Focam nas vendas em massa e por isso oferecem pouco em relação aos aromas, coloração e sabores. Quem se acostuma à cerveja artesanal dificilmente volta para as populares.
  • Premium
    O que faz a diferença é a qualidade dos ingredientes e o processo de produção. Cada cervejaria apresenta a sua. Você escolhe e decide se ela merece mesmo o nome que recebeu. 

A Família Real portuguesa, além de trazer muita gente para o Brasil e permitir a invenção das piadas de português, também trouxe a cerveja que veio com as tavernas, as precursoras dos botecos. Antes disso, nossos antepassados só consumiam vinho e aguardente. Criamos o gosto pela cerveja e hoje somos um dos maiores consumidores “da loira” no mundo. Um produto como a cerveja num país tropical, quente, cheio de praias e povo alegre tinha tudo para dar certo. E deu.

Eloi Zanetti é escritor, palestrante, especialista em marketing e comunicação corporativa. Contato: eloizanetti@gmail.com

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