quarta-feira, 27 maio, 2026
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Blends e charutos: Vinhos naturais e charutos

Por Carol Macedo – Em meio a toda a conversa sobre a queda no consumo de bebidas alcoólicas, o boom das RTDs (bebidas mistas em lata e prontas para o consumo) e a mudança no perfil da nova geração, eu me deparei com os vinhos naturais. Confesso que, ainda que trabalhe com bebidas há alguns anos, sempre foquei meus estudos nos destilados, como whisky e rum.

Acontece que existe um mercado bastante nichado, mas em franca expansão: o de vinhos naturais. Basicamente, são vinhos feitos sem adição de açúcar e de leveduras comerciais. De maneira simples (e até rasa), as grandes vinícolas compram leveduras para fazer a fermentação. Essas leveduras de mercado dão uma segurança maior sobre qual será o resultado final. Nos naturais, não. As leveduras são selvagens, ou seja, são as que já estão contidas nas uvas e no próprio ambiente. Isso torna o processo muito mais imprevisível – e é aí que mora a mágica.

Fato é que esse consumo vem crescendo muito entre um público mais jovem e de maior poder aquisitivo. Afinal, estamos falando de produções pequenas, sujeitas a grandes perdas, o que obviamente se reflete no valor final. Mas vou te contar: vale a pena conhecer. São bebidas de aparência mais turva, que podem apresentar notas mais azedas e sabores que fogem totalmente do comum dos vinhos comerciais.

A minha opção por não me dedicar ao estudo dos vinhos, na verdade, não foi uma decisão deliberada. O meu mercado é o de charutos e, quando pensamos nos vinhos comerciais – aqueles que encontramos em corredores infinitos de supermercado -, a harmonização é muito difícil. A acidez e os taninos tendem a gerar um conflito enorme na boca quando combinados com um charuto, diferentemente dos destilados que mencionei, que costumam render um casamento perfeito.

Tudo mudou quando conheci a Sabrina Sautchuk em uma degustação de vinhos – e desses comerciais mesmo, porque ainda que eu não seja uma expert no assunto eu aprecio e sempre busco aprender um pouco. Algum tempo se passou até que ela me procurou para criarmos uma noite de charutos e vinhos. Minha resposta inicial seria não, mas mudei de ideia quando ela falou brevemente sobre os naturais. Fiquei curiosa. Após meses de estudos, testes e degustações, criamos um encontro para que todos possam viver essa experiência, que começou como um teste e se tornou algo mágico.

Para os apaixonados por vinhos e charutos, e também para os curiosos por esses universos, esse evento vai abraçar a todos em uma noite repleta de informação, sabores e surpresas na Bulldog Tabacaria, nesta quinta-feira, dia 28 de maio. Quem tiver interesse pode fazer a reserva diretamente com a Bulldog. Vai ser um prazer encontrar você, que me lê aqui, nessa noite tão especial.

*Carolina Macedo é curitibana, empresária, cigar sommèliere e pioneira no universo dos charutos, atuando à frente da Bulldog Tabacaria e abrindo espaço para mais mulheres no setor. Fala sobre este universo, além de agendas de cultura e lazer.

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