segunda-feira, 25 maio, 2026
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O dia em que Bolsonaro declarou guerra à Venezuela

OBLADI-OBLADÁ por Marcus Gomes – O documento tem o brasão da República, o número do decreto presidencial, a data de publicação, o artigo da constituição a legitimá-lo, a assinatura de Jair Messias Bolsonaro e do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, mas não passa de uma grande mentira.

Trata da mobilização nacional de brasileiros de 18 a 60 anos, considerando “a iminência de um conflito armado com a República Bolivariana da Venezuela”.

Há dois lados nessa ‘fake news’: o lado humorístico informa que o treinamento obrigatório ocorreria, então, de 1º de março (sexta-feira) a 6 de março (quarta-feira de cinzas), exatamente o lapso de tempo do carnaval oficial no país – o extraoficial, como é de conhecimento público, é reservado ao restante do ano.

O lado triste é que os crédulos são cada vez mais crédulos e cada vez em maior número.

Ou seja, há quem acredite naquilo que não passa de um falso documento para um falso confronto. Não faz muito tempo, as pegadinhas eram reservadas ao 1º de abril, dia mundial da mentira, ou a programas satíricos na TV. Agora ocorrem com frequência nas redes sociais.

O culpado é você

Em artigo de capa publicado na Revista Bonijuris, lá nos idos de 2018, este escriba informava sobre pesquisa realizada pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), que apontava para o principal responsável por disseminar mentiras na internet.

O culpado não era o robô; não eram os softwares que disparam notícias a partir de contas falsas nem perfis impostores criados deliberadamente para propagar inverdades.  O culpado era o usuário, aquele indivíduo disposto a fazer circular com apenas um clique uma notícia que leu e não verificou, que leu e não checou, que não leu (sequer conferiu o título) e, mesmo assim, curtiu ou compartilhou.

Há mais: entre os crédulos em notícias falsas, o Brasil é campeão. Pesquisa do instituto Ipsos realizada em junho e julho de 2018, mostrou que 62% dos brasileiros acreditam em notícias veiculadas na internet sem verificar se tem base factual. Do lado oposto, o dos incrédulos, estão os cidadãos do Reino Unido (33%) e, mais desconfiados ainda, os da Itália (29%).

João Pereira Coutinho, em coluna na “Folha”, diz que só a credulidade explica os recentes atentados contra políticos em meio a um mar de serenidade que se julgava sem marolas.

Há mesmo uma relação direta e doentia entre o crente (seguidor) e o líder (seguido) que estão na política assim na terra como nas seitas.

Lavagem cerebral

No Netflix, um documentário sobre a mente criminosa (“Inside the Criminal Mind”, 2018) encontra um denominador comum entre as ovelhas desgarradas. Gente disposta a abrir mão de tudo para seguir um pastor, um líder, um político carismático. Dá tudo no mesmo.

Ele encontra uma necessidade nas pessoas, atende essas necessidades e cria outras que elas nem sabia que tinham. Doutrinação, transformação, alteração e redefinição. Eis o processo de lavagem cerebral.

Bolsonaro foi esfaqueado por um maluco em Juiz de Fora (MG) e os ‘fake readers’ (leitores de notícias falsas) se apressaram em desacreditar ou desmerecer a informação. O tucano José Serra foi atingido por uma bolinha de papel na campanha presidencial de 2010 e tratou-se do caso como um atentado.

Qual era mesmo o tamanho da bolinha?

Marcus Gomes é jornalista e advogado. Escreve sobre política, direito, condomínios e assuntos do dia a dia. Sugestões de conteúdo para redacao@bonijuris.com.br

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