Por André Nunes com fotos de Lina Sumizono – Turnê especial que comemora as oito décadas de vida de um dos maiores cantores e compositores da música brasileira, 80 Girassóis passou por Curitiba na noite deste sábado 25 de abril, trazendo toda a solaridade de Alceu Valença para o Igloo Super Hall – nova casa de shows no Tarumã, inaugurada no final de 2025, com toda a infraestrutura necessária para sediar grandes espetáculos.

O ilustre filho de Pernambuco subiu ao palco às 21h30, quando o público já estava agitado e ansioso para viver aquela noite que, já nos minutos iniciais, se mostrou histórica. Ao lado de uma potente banda, Alceu embalou a noite com 25 músicas (incluindo o bis) e 2h30 de muitas emoções (confira o setlist completo abaixo).

Alceu sobrevoa a própria trajetória artística, da década de 1970 aos dias atuais, ajudado por um cenário belíssimo e transmissões que captam a emoção de cada canção selecionada. A saga musical de Valença revisita os primeiros tempos de estrada e encontra em “Espelho Cristalino”, com contornos de toada e baião, é pioneira na causa ambiental. Pela luz que incendeia seu ofício, cabe ao poeta alertar que “essa rua, sem céu, sem horizontes, foi um rio de águas cristalinas”.

Ode a Gonzagão
Desde os tempos da Fazenda Riachão, que pertenceu a seu pai, em São Bento do Una, agreste de Pernambuco, o menino Alceu teve nas festas, feiras e vaquejadas do Nordeste profundo a mesma fonte absorvida pelo conterrâneo Luiz Gonzaga, o grande Gonzazão, para formatar os gêneros que desembocaram no forró. Seu Luiz, por sinal, deu a definição certeira do som de Alceu, já nos anos 80: “é uma banda de pífanos elétrica”. O legado do rei do baião se faz presente nas recriações de “Pagode Russo” e “Sabiá”, esta com leve sotaque lusitano, a provar que o fado português e a toada nordestina sempre dão psiu entre si.

Por ruas, estradas e caminhos ensolarados, o cantor nos leva a Recife, tema de “Pelas ruas que Andei” e “Belle de Jour”, recentemente revisitada em dueto com a cantora francesa Zaz. Só mesmo Alceu para desembarcar a musa da nouvelle vague francesa em plena praia de Boa Viagem na tarde de um domingo azul (canção mais famosa do que o filme que a inspirou, sem exageros).

O Carnaval de Olinda, com seu frevo e maracatu, também marca presença, além da “Ciranda da Rosa Vermelha“. Vale lembrar que, há mais de uma década, Alceu Valença comanda o bloco “Bicho Maluco Beleza” pelas ruas de São Paulo, e agora também do Recife, com cerca de um milhão de foliões felizes em cada evento.

Com notável capacidade de renovar seu público, canções como “Anunciação”, “Tropicana”, “Coração Bobo” e “Táxi Lunar” atravessam o tempo, recicladas a cada geração. Viva Alceu Valença!

PS: Com patrocínio master do Banco do Brasil – que trouxe cenários, ativações e oferece fotos feitas por fotógrafos profissionais – e produção da PECK e MV Produções, a turnê já passou por Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Florianopólis e Curitiba. As próximas paradas serão em Brasília (09/05), Recife (15/05), Fortaleza (23/05), Belém (30/05) e Belo Horizonte (20/06).

Setlist
- Abertura
- Agalopado
- Pagode Russo
- Como 2 Animais (Aboio)
- Cavalo de Pau
- Estação da Luz
- Girassol
- Flor de Tangerina
- Sabiá
- Ciranda da Rosa Vermelha
- Pirata José
- Olinda
- Bicho Maluco Beleza
- Banda de Pifano
- Embolada do Tempo
- Espelho Cristalino
- Coração Bobo
- Pelas Ruas que Andei
- Cabelo no Pente
- Tesoura do Desejo
- Solidão
- Taxi Lunar
- Belle de Jour
- Anunciação
- BIS – Tropicana
