Assessoria – A aprovação de um projeto na Câmara dos Deputados que prevê medidas para combater a importunação sexual em estádios, amplia o debate sobre a segurança das mulheres no futebol e evidencia um problema que vai além das arquibancadas. Enquanto o foco legislativo mira o ambiente esportivo, dados mostram que a violência também cresce dentro de casa nos dias de partida.
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que, em dias de jogos masculinos, os casos de agressão contra mulheres aumentam mais de 23% nas grandes capitais. O dado revela um padrão preocupante: a tensão e o contexto dos jogos podem intensificar comportamentos violentos, tornando o futebol um gatilho indireto para episódios de violência doméstica.
É nesse cenário que a Estácio coloca em evidência a campanha “Não Fique Calado”, iniciativa que busca ampliar a conscientização sobre o tema e incentivar a denúncia. A ação dialoga diretamente com o momento atual, ao propor um olhar mais amplo sobre a violência relacionada ao universo do futebol, indo além das medidas de segurança dentro dos estádios.
Desenvolvida em parceria com a Artplan e o Instituto Yduqs, a campanha oferece uma plataforma digital com conteúdos informativos, orientações sobre como identificar sinais de violência e caminhos para buscar ajuda. A iniciativa também conecta a população a serviços gratuitos já oferecidos pela instituição, como os Núcleos de Práticas Jurídicas (NPJ) e os Serviços-Escola de Psicologia, que prestam apoio jurídico e psicológico à comunidade.
“A discussão sobre segurança nos estádios é um avanço importante, mas é fundamental ampliar esse olhar. A violência não começa nem termina dentro das arenas, e os dados mostram que ela se intensifica em outros espaços, especialmente dentro de casa”, declara Jocely Burda coordenadora do Serviço Escola de Psicologia da Estácio Curitiba.
Segundo a especialista, a campanha surge como uma resposta direta a esse cenário, com foco em informação e mobilização social. “O ‘Não Fique Calado’ tem o papel de mostrar que todos podem agir, seja denunciando, acolhendo ou orientando. O silêncio ainda é um dos principais fatores que perpetuam a violência”, destaca.
Outro ponto central da iniciativa é o seu caráter educativo, ao envolver alunos na produção de conteúdos e no atendimento à população. “Quando conectamos educação com impacto social, conseguimos formar profissionais mais conscientes e, ao mesmo tempo, ampliar o alcance de ações como essa”, completa.
A mensagem é direta: dentro ou fora dos estádios, a violência não pode ser ignorada e denunciar é o primeiro passo para interromper esse ciclo.
