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OPINIÃO DE VALOR: OS DIÁRIOS DE ROSENBERG

ANTENOR DEMETERCO JR (*)

Hitler; Alfred Rosenberg; Stalin
Hitler; Alfred Rosenberg; Stalin

O estoniano Alfred Rosenberg (1893 – 1946) tem nome judeu (mas não era), e foi, talvez, o mais radical pensador de ideia única entre os inimigos do Povo da Bíblia.

Na tribo nazista, pousava de filósofo, e foi o divulgador, na Alemanha de então, do terrível texto dos “Protocolos dos Sábios de Sião” (Konrad Heiden “in” “Hitler A Vida de um Bárbaro” ou “A Era da Irresponsabilidade”, 1935 – 1936, ed. Brasileira de 1943) – invencionice antissionista surgida entre ocultistas franceses no século XIX, e divulgada nos estertores da Rússia tzarista.

Seus diários, agora publicados no Brasil, expõem as entranhas do nazismo, pois revelam expressamente as linhas ideológicas mestras deste movimento racista, e as ações dos “criminosos por convicção política” que o integraram:

  1. Anticristianismo explícito. Adolf Hitler nunca permitiu que religiosos participassem de reuniões do seu partido ou do enterro de um companheiro. A “peste cristã-judaica” estaria se aproximando de seu fim (cf. p. 321). O grande enfrentamento da nossa vida é a “superação das confissões cristãs” (cf. p. 420). Hitler seria confessadamente “herege” (cf. p.144), o que revelava apenas na intimidade.
  2. Acordo interesseiro com os bolchevistas. Stalin, o segundo maior criminoso da História, por ocasião da assinatura do pacto nazi-soviético em Moscou, levantou um brinde a outros dois grandes criminosos: Hitler e Himmler (cf. p. 301).
  3. Plano criminoso exposto para jornalistas: erradicação biológica de “todo” o Povo Judeu da Europa (cf. discurso em anexo aos diários, p. 592-593). No leste, viviam “6 milhões de judeus” que deveriam ser empurrados através dos Urais ou que seriam objeto de promoção de algum tipo de erradicação. Na Lituânia, cerca de 10 mil judeus foram “liquidados”, e as execuções “continuam todas as noites” (cf. documento em anexo, p. 576-577).
  4. Contato com Roosevelt em outubro de 1939. Um tal de Sr. X teria iniciado conversas políticas nos Estado Unidos, sendo o enviado do presidente um magnata do petróleo (William Rhodes Davis). Hitler teria apresentado resposta com cinco pontos (cf. p. 301-302). Verdade ou afirmativa falsa?
  5. Oferta inglesa de material aeronáutico aos alemães (cf. p. 126). A fábrica de aero motores Bristol, através de um tal capitão Barlett, com recomendação do Air Ministry, quis introduzir um novo motor na Alemanha. Com isto, o Estado-Maior da aviação britânica teria dado oficialmente seu aval para “a ampliação da defesa aérea alemã”. Se for verdade tal iniciativa, a Inglaterra colaborou (mais uma vez) na violação do Tratado de Versalhes, que impôs o desarmamento germânico.

Rosenberg, com suas anotações, de um lado acentua seu já conhecido anticristianismo e antijudaismo (este criminoso), e, de outro, revela suspeitíssimos contatos oficiais com as democracias ocidentais.

Tais anotações constituem verdadeira delação não premiada.

Curitiba, 12 de Julho de 2017.

(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, desembargador aposentado; estudioso da História do Século 20

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