terça-feira, 13 janeiro, 2026
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Janeiro Branco e a importância da saúde mental em tratamentos

Assessorias – Como fica a saúde mental no tratamento oncológico? O Janeiro Branco é uma campanha dedicada à conscientização sobre a saúde mental e, no contexto do câncer, esse cuidado se torna ainda mais essencial. O Instituto de Oncologia do Paraná (IOP) reforça que falar sobre saúde mental no tratamento oncológico é falar sobre qualidade de vida, autonomia e cuidado integral ao paciente e à família.

De acordo com Roberta Caratchuk, psicóloga do Instituto de Oncologia do Paraná, incluir o cuidado com a saúde mental é o primeiro passo para um tratamento verdadeiramente completo. Assim como existe a consciência da importância do cuidado físico, é fundamental compreender que a saúde mental faz parte do processo de cuidado integral do indivíduo. Quanto mais pessoas tiverem acesso a informações corretas e fidedignas sobre saúde mental e câncer, mais bem orientadas estarão para reconhecer a necessidade desse cuidado, tanto no contexto oncológico quanto em qualquer outro cenário.

O diagnóstico de câncer gera impacto profundo em todas as esferas da vida do paciente. Aspectos sociais, familiares, laborais, espirituais, financeiros e emocionais são diretamente afetados. São essas áreas que conferem sentido e qualidade de vida. “Durante o diagnóstico e o tratamento, é comum o afastamento do trabalho e de atividades sociais, além de questionamentos espirituais e existenciais. Há também a reorganização dos papéis familiares, o surgimento de demandas financeiras não planejadas e os efeitos colaterais do tratamento, que podem ser físicos e cognitivos, como mudanças na aparência, cirurgias e alterações de memória e concentração. Diante desse cenário, o cuidado psicológico se torna indispensável para um tratamento oncológico humanizado e completo”, afirma.

Segundo Roberta, o acompanhamento psicológico auxilia o paciente a compreender seu protagonismo e fortalece a autonomia na tomada de decisões. Esse processo cria espaço para a elaboração do sofrimento emocional e para o enfrentamento das dificuldades impostas pelo câncer. Cuidar da mente é parte essencial do conforto e do manejo da qualidade de vida, sempre respeitando a individualidade de cada caso e as possibilidades reais de cada paciente.

Reações emocionais como tristeza, medo e irritabilidade são consideradas naturais e, em muitos contextos, formas saudáveis de expressão emocional. “A atenção especializada se intensifica quando há desregulação emocional ou embotamento afetivo, situações em que as emoções não são expressas de maneira esperada para o contexto vivido. A avaliação psicológica leva em conta a duração, intensidade e frequência dos sintomas emocionais, além da percepção de mudanças no comportamento e no sofrimento relatado pelo próprio paciente e por seus familiares”, orienta.

O impacto emocional do câncer também atinge diretamente a família. Em muitos casos, familiares assumem o papel de cuidadores, recebendo grande volume de informações, lidando com mudanças na dinâmica familiar e dedicando-se intensamente aos cuidados práticos do paciente. Esse processo pode gerar sobrecarga física e emocional. O apoio psicológico oferecido pelo Instituto de Oncologia do Paraná proporciona um espaço de acolhimento, organização emocional, desenvolvimento de habilidades e incentivo ao autocuidado, refletindo diretamente na qualidade do cuidado oferecido ao paciente oncológico.

Janeiro Branco reforça importância da saúde mental no cuidado integral com pacientes reumatológicos

Carolina Muller, presidente da Sociedade Paranaense de Reumatologia. Foto: Celso Kruger

O início do ano também é um convite à reflexão sobre o cuidado integral com a saúde. A campanha Janeiro Branco chama a atenção para a importância da saúde mental, lembrando que o equilíbrio emocional deve receber a mesma atenção dedicada ao corpo físico, especialmente quando se fala em prevenção, qualidade de vida e bem-estar.

No Brasil, os transtornos mentais representam um desafio relevante de saúde pública. Estimativas indicam que cerca de um terço da população apresenta sintomas de ansiedade, enquanto a depressão atinge mais de 10% dos brasileiros, com maior prevalência entre as mulheres. Esses números reforçam a necessidade de ampliar o olhar para a saúde mental em diferentes contextos clínicos.

A temática é ainda mais sensível para pacientes com doenças reumatológicas, que convivem com dor crônica, limitações funcionais e impacto emocional contínuo. Mais de 15 milhões de brasileiros são afetados por doenças reumáticas, como artrite reumatoide, artrose e fibromialgia, condições que exigem acompanhamento prolongado e podem comprometer significativamente a qualidade de vida.

Estudos científicos mostram que ansiedade e depressão são mais frequentes entre pacientes reumatológicos do que na população geral. Em casos de fibromialgia, até metade dos pacientes apresenta sintomas desses transtornos. Já entre pessoas com artrite reumatoide, a prevalência de depressão pode variar entre 17% e 40%, influenciando diretamente a adesão ao tratamento e a evolução clínica.

Para a Sociedade Paranaense de Reumatologia, o Janeiro Branco reforça a importância de uma abordagem integral no cuidado ao paciente. Segundo a presidente da entidade, Dra. Carolina Muller, “na reumatologia, lidamos diariamente com doenças crônicas que afetam não apenas o corpo, mas também o emocional. Cuidar da saúde mental é fundamental para um tratamento mais humano, eficaz e com impacto positivo na qualidade de vida dos pacientes”.

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