
Nomeado bispo de Uruguaiana (RS), no último dia 31 de maio, Dom José Mário Angonese, até então bispo auxiliar de Curitiba, deixa atrás de si uma legião de admiradores.
No domingo (28), ele deve ter rezado sua última missa na qualidade de bispo auxiliar, na Igreja Matriz da Paróquia Bom Pastor, para crismandos do Colégio Positivo e de outras paróquias.
HOMILIA COM HUMOR
Em sua homilia, longa (jamais entediante) e entremeada de comentários divertidos, tratou de apelar aos pais para que atraiam para si a responsabilidade e a influência sobre o ensino do catolicismo aos filhos. Em dado momento, comparou o cristianismo ao futebol e disse que é preciso orientar os filhos a também “vestir a fé”, assim como vestem a camisa de um clube por influência de sua família.
TIME DO CORAÇÃO
“Se o pai faz questão de ‘vocacionar’ o filho para o seu time de coração desde a mais tenra infância, que faça o mesmo em relação aos ensinamentos religiosos”, afirmou.
ÍTALO-GAÚCHO
Dom José Mário Angonese foi nomeado bispo auxiliar de Curitiba em 20 de fevereiro de 2013, atendendo a um pedido do arcebispo da capital, Dom Moacyr Vitti, ao Papa Bento XVI. Sua sagração episcopal ocorreu dois meses depois, na Basílica de Medianeira, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Dom José Mário Angonese é gaúcho, nascido em Unistalda (RS), em 1º de junho de 1960. Completou 57 anos no dia seguinte a sua nomeação.
“NÃO É SURPRESA”
Para um sólido conhecedor da história da Igreja Católica no Brasil, o fato de dom José Mário ser um bom orador, “não surpreende”, explicando, em seguida:
“Ele vem da forte tradição que os gaúchos mostram – religiosos e leigos -, com a oratória. E a isso se some o fato de dom Angonese ter sangue italiano, o que só amplia sua veia catequética pelas homilias bem montadas, muitas vezes com ares de convocação ardorosa em torno de suas prédicas”.
UM DISCIPLINADOR
Para o mesmo analista da vida da Igreja no Brasil – com concentração no Paraná -, a passagem de dom José Mário por Curitiba não teria sido, no entanto, “um mar de rosas” entre o clero diocesano, que mereceu suas especiais atenções a pedido do arcebispo.
Na verdade, o agora novo bispo de Uruguaiana, RS, sempre foi visto aqui como um disciplinador.
Eu mesmo ouvi de dois padres – um deles hoje estudante em Roma, em vias de retornar a Curitiba – que o então bispo auxiliar teria transferindo para aqui, sua primeira missão episcopal, “métodos e pedagogias disciplinadoras características de um rígido diretor de seminário…”
