
Há quase 20 anos, as empresas públicas de telecomunicações no Brasil foram privatizadas. O processo foi rápido e ocorreu após uma intensa campanha, desenvolvida nos meios de comunicação social, contra as companhias estatais, com destaque para a ineficiência, o empreguismo, a corrupção e, no caso da telefonia, a demora no atendimento à demanda e o elevado valor de uma linha.
O Sistema Telebrás foi dividido em várias empresas, de telefonia fixa e celular móvel, e acabou sendo arrematado em leilão público por companhias estrangeiras e algumas de capital nacional. Entre as estrangeiras, algumas estatais, como a Portugal Telecom e Telefónica espanhola, o que não deixa de ser curioso: estatais lá de fora explorando a nossa telefonia.
SAUDOSISMO
Pois bem. Hoje há queixas quanto ao funcionamento das concessionárias de telefonia, e algumas atravessam momentos de extrema dificuldade, como é o caso da Oi, ora em processo de recuperação judicial. Chegou-se até a falar em estatizá-la como forma de garantir a sua sobrevivência. Aliás, vale lembrar que a Telebrás ainda existe, embora sem o gigantismo de outrora.
FOI ‘NOTA DEZ‘
No meio das queixas contra as operadoras, coexiste, claro, uma espécie de saudosismo que serve de exceção à regra. Falo da Telepar, considerada na época a empresa Nota 10 do Sistema Telebrás. A linha telefônica era cara, sem dúvida, mas a estatal criada em 1963 por Ney Braga funcionava direito, tinha um quadro enxuto de funcionários, valorizava os clientes e trouxe para Curitiba várias indústrias do setor de telecomunicações. Ela foi privatizada no bolo das demais exatamente quando se preparava para os tempos modernos, como a tecnologia da informação e a fibra óptica, por exemplo.
A TELEPAR EM LIVRO
Essa estatal que deu certo é tema de um livro a ser lançado no fim do ano sob a chancela da Astelpar – Associação dos Aposentados, Pensionistas do Setor de Telecomunicações no Paraná. A obra está sendo preparada por quatro ex-empregados da Telepar: José Francisco Cunha, Israel Kravetz, Paulo Arruda Bond e o jornalista Walter Schmidt. Também participam do trabalho o empresário Wilson R. Pickler e o produtor cinematográfico Guilherme Pereira Sade.
70 HORAS DE ENTREVISTAS
O livro conta um pouco da história da telefonia no Paraná antes de abordar a vida da Telepar propriamente dita. Ao todo, são 31 capítulos, sendo os três últimos dedicados ao processo da privatização. Até o momento já foram gravadas quase 70 horas de entrevistas com ex-presidentes, ex-diretores, ex-gerentes e ex-funcionários. Pesquisas estão sendo realizadas no Arquivo Público do Paraná e na Biblioteca Pública do Paraná, além de consultas a acervos de publicações de ex-funcionários.
NADA ESCAPA
Jornais curitibanos, publicações internas da Telepar e relatórios das diretorias da empresa estão sendo revirados em busca dos fatos que marcaram a vida da companhia que nasceu paranaense e que foi incorporada à Telebrás no início da década de 1970.


