quarta-feira, 6 maio, 2026
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Histórias de políticos de (muita) sorte

Fernando Giacobo
Fernando Giacobo

O deputado paranaense Fernando Giacobo não é o único sortudo da história da política. Em um período de duas semanas, entre 5 e 19 de julho de 1997, ele ganhou 12 vezes na loteria. Lá se vão duas décadas. O que causa admiração não é a sua sorte, outros a tem de sobra, mas a falta dela por não ganhar outra vez. Ele diz que participou de vários bolões naquele período (centenas, milhares), ganhou R$ 136 mil e registrou tudo certinho em seu imposto de renda. Ainda assim caiu na malha fina. Hoje é devedor de R$ 21 milhões – 154 vezes o valor de seu prêmio.

 

Anão do orçamento: “Ex-mulher é para sempre”

 

Outro ganhador, mais notório, é o deputado baiano João Alves. Em 1993, ele foi apanhado no escândalo dos “anões do orçamento” – um esquema de emendas parlamentares em que entidades fantasmas eram escolhidas para receber dinheiro destinado à assistência social. Denunciado, João Alves alegou que era um “sortudo incorrigível”. Só naquele ano, ganhara 56 vezes na loteria, o que equivaleria em um cálculo de probabilidade matemática a investir 17 milhões de dólares em apostas. Ele renunciaria para escapar da cassação, mas imprimiria a marca da corrupção na primeira legislatura pós-constituinte.

DESVIO DE MILHÕES

O deputado Manoel Moreira, também acusado de integrar o grupo de anões, até que gozava de boa sorte. Mas não o suficiente para livrá-lo de uma testemunha-chave. A ex-mulher Marinalva Souza Silva depôs na CPI e revelou um esquema de desvio de 3,2 milhões de dólares entre 1989 e 1993. Foi Manoel Moreira, aliás, hoje advogado, quem cunhou frase célebre: “Ex-mulher é para sempre”.

João Alves dizia-se especialista em bilhetes da Loteria.
João Alves dizia-se especialista em bilhetes da Loteria.
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