
Se a crise no Hospital Evangélico parece irreversível, como vem apontando esta coluna, há sinais de que uma negociação estaria em curso. Sob o comando do Reverendo Juarez Marcondes Filho, o Instituto Presbiteriano Mackenzie, uma das mais tradicionais entidades protestantes do Brasil, pode assumir o controle do hospital curitibano e integrá-lo ao seu complexo.
PENDÊNCIAS
Trata-se de arcar com uma dívida de R$ 400 milhões, conforme informado por Celso Nascimento na Gazeta do Povo de terça-feira (9), em consonância com esta coluna. Ainda assim, o Reverendo Juarez Marcondes Filho, que preside o Conselho Curador da entidade presbiteriana, pode considerar acertada a negociação, mas não sem antes conhecer as minúcias acerca das pendências do hospital junto à Justiça do Trabalho. Em apenas um caso notório, envolvendo a ex-chefe da UTI, Virgínia de Souza, o passivo do Evangélico seria de R$ 4 milhões.
SEDE E OUTROS CINCO CAMPUS
Fundada há 150 anos, em São Paulo, o Mackenzie é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos que administra, além da sede principal na capital paulista, outros cincos campus localizados no Rio de Janeiro, Brasília, Recife e em duas cidades do interior de São Paulo: Campinas e Barueri. Caso a troca de comando se confirme, o Mackenzie passará a concentrar também a administração da Faculdade de Medicina, dando fôlego ainda maior a uma estrutura acadêmico-hospitalar já consolidada.
UTI
Enquanto não se encontra uma solução, o Evangélico segue em estado terminal. De acordo com informações de funcionário de alto escalão, que prefere não se identificar, uma das Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) do hospital está prestes a ser fechada. Mesmo com a abertura de leitos (em casos de alta ou óbito), há uma determinação para que eles não sejam ocupados.
Profissionais do setor estão sendo realocados para outras áreas do hospital devido ao crescimento dos pedidos de demissão. Servidores relatam a falta de medicamentos, lençóis, cobertores e também de produtos para a higiene de pacientes. Há informações de que um médico do hospital estaria auxiliando financeiramente enfermeiros e auxiliares para que a equipe não seja desfalcada. O quadro é de penúria.

