
A absolvição da médica Virgínia de Souza não parece ter diminuído os efeitos devastadores da crise que cerca a administração do Hospital Evangélico de Curitiba. Ex-chefe da UTI, ela foi acusada provocar a morte de sete pacientes da unidade de tratamento intensivo entre 2006 e 2013. O caso despertou a atenção das autoridades não só para o atendimento clínico especializado do hospital como também para sua administração, hoje às voltas com atrasos de salários frequentes, dificuldade para contratação de profissionais e descaso com regras sanitárias elementares.
POMBOS E ATRASOS
Funcionários reclamam que o 13ºsalário referente ao ano passado ainda não foi pago. O refeitório da instituição vem sendo evitado por médicos e enfermeiros por causa da invasão de pombos que invadem o local através de buracos no telhado e há falta de material em todos os setores.
INDENIZAÇÃO MILIONÁRIA
A administração/intervenção decidida pela Justiça do Trabalho, acumula ainda dívidas trabalhistas, da qual a mais expressiva é a de Virgínia que ganhou, na Justiça do Trabalho, uma indenização no valor de R$ 4 milhões. O Evangélico recorreu. Outros 13 médicos acusados no processo também entraram com pedidos de indenização semelhantes.
FORMAÇÃO PREJUDICADA
Antes mesmo do “Caso Virgínia” vir a público, o hospital já vivia uma crise sem precedentes. Dívidas acumuladas e não saldadas, atraso nos salários, falta de equipamentos e de remédios eram apontados como causa e consequência da derrocada. Por tratar-se de um hospital-escola, o Evangélico ainda estaria comprometendo a formação dos estudantes ligados da Faculdade Evangélica de Medicina.
COM A PALAVRA
O presidente da mantenedora (SEB), presbítero João Jaime Nogueira, continua impedido, por determinação da Justiça do Trabalho, de entrar nas dependências do Hospital Evangélico. De qualquer forma, João Jaime terá, mais cedo ou mais tarde de se manifestar sobre a situação, embora se reconheça que, desde seu “distanciamento” do Hospital, as coisas tenham piorado muito por lá.
O Evangélico Curitiba é importante especialmente por seu Pronto Socorro, e por atender, em cerca de 80% de seus leitos, clientela do SUS.

