
É difícil imaginar que o colombiano Gabriel Garcia Márquez, autor de “Cem Anos de Solidão”, não visse no livro a sua obra-prima. Ele preferia “Ninguém Escreve Ao Coronel”, um romance de poucas páginas em que um coronel vive um exílio amargo, esperando que os correligionários lhe mandem notícias. E elas nunca vêm.
QUASE MISERÁVEL
“Cem Anos de Solidão” foi lançado em 1967, há meio século, portanto, por um jornalista e escritor em busca da fama. Garcia Márquez vivia na Cidade do México com a mulher, Mercedes, em situação quase miserável.
Prometeu escrever o livro em seis meses, precisou de um ano e meio, enquanto a mulher tratava de dar voltas ao senhorio, prometendo sempre saldar a dívida.
APLAUSOS
O livro saiu e o resto é história. Em um teatro em Buenos Aires, onde ele e Mercedes entraram depois do apagar das luzes, alguém o reconheceu e gritou: “Obrigado, senhor Garcia Márquez”. Seguiu-se uma salva de palmas.
NEVE EM CURITIBA
O prazer das primeiras linhas de “Cem Anos…” talvez tenha sido a mesma que o curitibano experimentou em 1975, com a sensação fria e surpreendente do floco de neve em seu rosto:
KAFKA E ORALIDADE
“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo.”
Garcia Márquez não viveu sucesso igual, antes ou depois. E é difícil explicar a razão. Ele escreveu livros com o mesmo estilo e o mesmo fôlego. Mas talvez não com a mesma magia kafkaniana que ele tratou de misturar à oralidade das histórias da avó.
OLHO ROXO
Amigo de Fidel Castro e das causas socialistas na América e no Caribe, ele se viu em um confronto com o peruano Mário Vagas Llosa (Nobel de Literatura em 2010), que resultou em um olho roxo, registrado em foto.
CASTRO SALVADOR
Sua literatura fantástica foi de tal maneira imitada – inclusive por escritores brasileiros– que caiu em desgraça. O mundo imaginário, da qual se valeu também o argentino José Luis Borges era uma artimanha para tratar a realidade surreal dos tempos de generais, coturnos e ditaduras.
Garcia Márquez talvez a tenha anulado quando viu em Castro um salvador e não um déspota.
CIDADE FICCIONAL
Macondo, a cidade ficcional que ele inventou, para nela contar a saga dos Buendía vai ficar em cada um que teve o prazer em percorrer as 500 páginas do livro. No caso da tradução em português, desde a brochura editada pela Record com ilustrações de Carybé – o mesmo dos livros de Jorge Amado.
