quarta-feira, 6 maio, 2026
HomeMemorialLIVRO RARO MOSTRA SERGIUS ERDELYI, UMA PRECIOSIDADE

LIVRO RARO MOSTRA SERGIUS ERDELYI, UMA PRECIOSIDADE

Sergius Erdelyi e Elizabeth Loibl Ederlyi
Sergius Erdelyi e Elizabeth Loibl Ederlyi

Em meus muitos anos de jornalismo, parte deles voltada para a cobertura das artes plásticas no Paraná, posso garantir que poucas vezes um livro de arte (aqueles que, quase sempre grandes, ficam à mesa, para facilitar seu manuseio) me chamou tanto atenção, quanto o “Sergius Erdelyi – Art Experiment”.

CURADOR

A curadoria da obra, primoroso trabalho gráfico e de textos, é do holandês Piter Tjabbes. A iniciativa da publicação é da Art Unlimited, coordenada por Elizabeth Loibl Ederlyi, viúva do artista, insuperável guardiã da memória de Erdelyi.

DIRETOR DO MAC

O livro em dois volumes e a caixa
O livro em dois volumes e a caixa

O holandês Tjabbes foi diretor do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, de 1990/91, dirigiu museus na Holanda, foi gerente internacional da Fundação Bienal de São Paulo, de 1995 a 2002, e curador de mostras de enorme importância. Dentre elas, cito a Vincent Van Gogh, na 24 Bienal de São Paulo. Desde 1995 é diretor da Art Unimed, período em que foi curador, entre outras, da mostra “O Mundo Mágico de Escher”, que levou 750 mil pessoas a visitá-la.

ELIZABETH: GUARDIÃ

Acredito que ninguém melhor que Elizabeth para propiciar levantamento como esse da obra do artista de trânsito internacional. A começar pela presença dele em mostras como a Bienal de São Paulo. Nessas incursões sempre contou com o aval de nomes como Fernando Bini, nosso mais conhecido professor, historiador e crítico de artes plásticas. O aval se amplia à obra de Erdelyi quando são revividas as palavras com que o ex-reitor Clemente Ivo Juliatto saudou o artista, ao entregar-lhe o título de Doutor Honoris Causa da PUCPR.

ESTÁ EM “VOZES I”

Se houvesse tempo, e também espaço, poderia me alongar na apreciação do trabalho, em cujas páginas finais encontro registrado o nome de meu livro “Vozes do Paraná, retratos de paranaenses”, volume I, como uma das referências bibliográficas. Erdelyi foi por mim perfilado em 2008, quando iniciei essa série de livros que registram nomes de importância na vida do Paraná de hoje.

HISTÓRIA DA HUMANIDADE

Não tenho dificuldade em dizer que uma visita ao terceiro andar da Biblioteca da PUCPR (obra arquitetônica de Manoel Isidro Coelho) pode ser o melhor ponto de partida para que o interessado comece a conhecer a obra de Sergius Erdelyi.

Sergius, iugoslavo, viveu sob os horrores da II Guerra, e nos 1960 chegou ao Brasil depois de andanças muitas. Estabeleceu-se em Tijucas do Sul, onde se dedicou ao seu atelier a projetos florestais, além de algumas parcerias com a PUCPR.

A propósito: na igreja católica de Tijucas há uma via crucis de Erdelyi.

CLEMENTE INQUIETO

Na Biblioteca da PUCPR, resultado de mais “uma arte” do insuperável professor Clemente Ivo Juliatto, alma de religioso habitando a mente de inquieto intelectual, o visitante vai se surpreender. Será “acolhido” por grande mosaico de vidro sobre lâminas temperado.

Lá está a obra que reputo mais colossal do artista, no terceiro andar, denominada de Viagem pela História da Humanidade”.

A qualidade gráfica do livro (dois volumes, apresentado em caixa) só merece agradecimentos de quem tem interesse por manifestações culturais nesse país nada generoso com as artes que ousam ir além das cantorias do show-business e da televisão.

Erdelyi foi inventor, engenheiro mecânico, diretor de multinacional automobilística em São Paulo, ambientalista, homem de espírito apaixonado pelas reflexões e provocações de Teilhard de Chardin, que num dado momento, inspirou-o a gerar muitos de seus mosaicos, desenhos, pinturas e esculturas.

Sergius era um homem de espírito na acepção da palavra. Isso se pode bem avaliar por sua obra que, em última instância, faz catarse dessa usina de criatividade que nele existia.

Viva Elizabeth Erdelyi, Sergius e Tjabbes!

Leia Também

Leia Também