
Quando você não esperava mais nada do serviço público, eis que surge uma luz no horizonte. Na véspera da greve geral convocada pelas centrais sindicais, o Tribunal de Justiça do Paraná bateu o martelo: paralisou o expediente de sexta-feira (28), em medida cautelar para evitar os efeitos deletérios da… paralisação. É uma decisão inédita.
E A CARONA SOLIDÁRIA, JUIZ?
Quando o país clama por trabalho com 14 milhões de desempregados, o Tribunal de Justiça do Paraná, decide que não trabalhará. E a alegação é simplória: o transporte urbano não estaria disponível e poderia afetar o ir e vir dos funcionários. Então está resolvido.
Mas há serviços de carona, como o Uber, e táxis à disposição para suprir esse problema. Isso sem considerar que muitos servidores têm seus próprios automóveis.
CONFRONTOS
Mas há outro argumento apresentado. O TJ alega que as manifestações marcadas para o Centro Cívico, onde está localizado o prédio do tribunal, podem gerar conflitos e constrangimentos aos funcionários. É de se duvidar. Há manifestações corriqueiras no quadrante do poder e, salvo engano, nunca prejudicaram o funcionamento do Tribunal de Justiça, nem mesmo em seus serviços básicos.
EFEITO DOMINÓ
A decisão do TJ promoveu uma reação em cadeia. Por causa da greve preventiva em caso de greve, também o Ministério Público do Paraná julgou-se apto a aderir. Sem o Tribunal de Justiça, o MP não poderia movimentar os processos e, de mãos atadas, acabaria por desencadear um congestionamento no cafezinho. É um exercício de surrealismo sem precedente.
FERIADÃO
Com tantos feriados emendados nas últimas semanas, é difícil acreditar nas aleivosias de alguns que juram que o Dia do Trabalho, na segunda-feira, seria o motivo principal para a paralisação preventiva decidida pelo judiciário paranaense. Isso é maldade.
