quarta-feira, 6 maio, 2026
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SANTA CASA PODERÁ SER GERIDA POR FUNDO DE “PRIVATE EQUITY”

Fachada da Santa Casa de Curitiba
Fachada da Santa Casa de Curitiba

Há muitas surpresas à vista no mundo universitário e na área hospitalar de Curitiba do que nossa imaginação possa conceber.

Nesta quinta, 27, por exemplo, o irmão marista June Alisson, 45, que responde pela mantenedora (PUCPR) junto à Santa Casa, terá ampla e supostamente irrestrita conversa com o corpo médico da instituição. Em reunião marcada para as 14 horas.

O QUÊ ACONTECE?

Afinal, o que está acontecendo na relação PUCPR/Santa Casa de Misericórdia de Curitiba?

Uma coisa parece certa: a PUCPR e Santa Casa de Curitiba estariam caminhando para se desligar, do ponto de vista oficial. Há várias alternativas sendo planejadas. A mais forte delas se encaminharia para a montagem de uma parceria da Santa Casa com um fundo de “private equity” (*), nacional ou internacional.

Em que moldes, não consegui apurar.

LUTA HERCÚLEA

Desde que a instituição hospitalar passou a ser controlada pela PUCPR, no começo dos anos 2000, sob a chamada Aliança Saúde, os irmãos maristas têm feito luta hercúlea, visando a manter o mais antigo hospital de Curitiba, que atende 80% de pacientes do SUS, em seus serviços (ambulatórios e internamento).

INCONTORNÁVEL

– Agora a coisa tornou-se incontornável, disse na quarta feira, 26, a esta coluna um dirigente marista para sugerir – apenas sugerir – que estariam em estudos algumas medidas “não com vistas apenas à Santa Casa”.

O grupo marista, que recebe apoio financeiro do Governo federal para manter a Santa Casa como hospital escola -, estaria “cansado do déficit” que a Mesa da SC acusa todos os anos.

OLHANDO NA FRENTE

E muito mais do que “cansada”, a PUCPR estaria – segundo me informa acadêmico da área de Economia da Pontifícia Universidade Católica, com olhar “muito adiante”. Isso implicaria, como primeira medida, a de “liberar-se” da SC. Na Mesa da Santa Casa, a PUCPR tem a maioria dos votos.

MARCELINO CHAMPAGNAT

Mais do que achar uma solução pontual para a sobrevivência do mais antigo hospital de Curitiba, a PUCPR teria em vista um projeto maior: o de desligar-se definitivamente da área de saúde. E dedicar-se exclusivamente à Educação, no que os maristas são craques.

Se isso acontecer, o caldo engrossará. Além da Santa Casa e seu enorme complexo imobiliário (incluindo o antigo Hospital Nossa Senhora da luz, de natureza psiquiátrica) a PUCPR investiu há poucos anos R$ 90 milhões na construção do Hospital Marcelino Champagnat, que só atende a planos de saúde e particular.

CAJURU VAI BEM

Já o Hospital Cajuru, que atende ao SUS, vai bem financeiramente. É também hospital escola, sendo referência em traumas e transplantes renais.

O Champagnat, por sua vez, não estaria dando o resultado financeiro que era expectativa da PUCPR.

FACHADA

Em meio a essas informações geradas por boas fontes, fico a me indagar, tentando entender: “Porque a Santa Casa de Misericórdia passou nos últimos meses por reforma interna?”

A reforma teria sido mera maquiagem, opina um velho médico da instituição, para apontar que “até” a parte histórica do complexo “está se deteriorando”.

Na PUCPR nenhuma fonte oficial quis falar sobre o assunto.

(*) “PRIVATE EQUITY”

São fundos que compram participações em empresas com alto potencial de crescimento e perspectivas de rentabilidade elevada, em setores variados. Essencialmente, os gestores e os investidores desses fundos juntam esforços na tentativa de agregar valor às empresas, participando da gestão delas.

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