
A programação do Fórum Mitos & Fatos – Cidades do Futuro, promovido pela rádio Jovem Pan, em São Paulo, já diz tudo: há uma preocupação das metrópoles em reduzir a distância entre regiões da cidade, integrar e otimizar serviços e diminuir os impactos da urbanização no meio ambiente.
A TODO VAPOR
A solução passa pela mobilidade urbana, um tema caro ao urbanista e ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner. Não por acaso, o escritório de Lerner foi contratado pela prefeitura de João Doria e já está trabalhando a pleno vapor na recuperação do centro velho da capital paulista.
CIGARRO DO FUTURO
Lerner tem defendido com insistência a proximidade das pessoas ao local de trabalho e ao seu centro de convívio. Ele quer acabar com a utilização de carros na cidade e é tão avesso ao automóvel na paisagem urbana que já previu de forma lapidar: “o carro é o cigarro do futuro”.
PROTAGONISMO
O conceito caro a Lerner é o da mobilidade urbana. Ele quer dar ao pedestre e ao transporte urbano (metrô e ônibus) um protagonismo que ele perdeu. A ideia é acabar com os centros comerciais e criar centros de convivência. Um híbrido de moradias e escritórios, com restaurantes e serviços disponíveis em seu entorno.

BIG DATA
O fórum não trata apenas da cidade de São Paulo e o tema não é somente o urbanismo. Estão na pauta também painéis de saúde, transporte e tecnologia. Daqui a poucos anos haverá 20 bilhões de dispositivos conectados à internet. Quanto mais dados os cidadãos produzem, é possível conhecer melhor a cidade onde vivem. Não se trata de um exercício de futurismo nem de uma distopia. O Big Data pode gerar vários benefícios, inclusive o de criar serviços específicos que atendam um número de pessoas em determinado local da metrópole.
CIDADES-FANTASMAS
Da Espanha, onde atendia um compromisso profissional, Lerner disse a esta coluna, há duas semanas, que o trabalho pelo qual foi contratado é de fôlego. Trata de remodelar a cidade e criar um conceito de urbanidade que permita devolver ao centro velho de São Paulo, hoje decadente, a mesma mobilidade presente nas capitais europeias. A ideia é acabar com as cidades-fantasmas.
MESMO CAMINHO
A região central de Curitiba passa pelo mesmo processo de deterioração e abandono. Prédios públicos abandonados, favelização de praças, pichações, lojas fechadas e o esvaziamento repentino da cidade ao anoitecer, o que afugenta o pedestre.
BOA VONTADE
Lerner já mostrou que é possível devolver a vida a Curitiba, assim como pretende fazer em São Paulo e em outros centros urbanos do país e do mundo. É o seu legado. Deixar atrás de si soluções para as grandes metrópoles. Basta vontade política de seus administradores.

