sábado, 30 agosto, 2025
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Eloi Zanetti: Imaginação, criatividade e inovação

De vez em quando algumas palavras entram no vocabulário corporativo ganham força e correm à boca solta. É o caso de expressões como paradigma, escopo, acurácia, sustentabilidade e inovação. Algumas, genéricas demais para dar precisão sobre os seus significados, são muito faladas e pouco compreendidas.

Nos últimos tempos, entrou em voga o termo “inovação”, assunto obrigatório em publicações de negócios, palestras e planos de governo. E como tudo que vira moda traz consigo várias paternidades, a definição correta do conceito, apesar do termo existir desde que o mundo é mundo, ainda é imprecisa. Cada autor que lida com o assunto dá um significado.

Muitas vezes, a melhor maneira de entender uma palavra é ir direto ao seu contexto e procurar a correlação e os significados entre outras do mesmo universo – unidas, uma ajuda a compreender a função da outra. Vamos lá: não existe inovação sem que primeiro se passe pelo processo da criatividade e a este precede a imaginação. Por exemplo, a inovação é um atributo da empresa, ela acontece quando se impõem processos e sistemas.

 Para inovar a empresa precisa pergunta a si mesma:

  • Temos dinheiro para fazer isto?
  • Quem serão os parceiros estratégicos?
  • Foram feitos estudos de mercado e planos de negócio?
  • Temos tecnologia e ferramental para inovar?
  • Nosso pessoal está preparado?

Já a criatividade é atributo pessoal do funcionário. Ele tanto pode oferecer boas ideias trabalhando sozinho quanto em equipe, por meio de uma sessão de brainstorming. O grande erro da empresa é tentar formatar o processo criativo enquadrando-o em métodos e procedimentos organizados.

Criatividade é assim: quanto mais desorganizada, melhor. Ela nunca marcará hora ou lugar para se apresentar. Prefere aparecer como uma erva daninha, bela e saudável, em um jardim bem cuidado. Estigmatizá-la ou arrancá-la pode não ser uma boa ideia. Por isso, se você quiser inovação, estimule a criatividade.

A inovação acontece em três passos. Vimos o segundo; agora vamos ao primeiro, que é a imaginação, pois sem ela não há criatividade, nem inovação. É a fase do sonhar acordado, flanar, deixar-se levar pelos pensamentos e ficar à toa remoendo ideias. É o tempo de desligar-se de tudo, da televisão, dos computadores, das conversas e ir aonde a nossa cabeça mandar. De todas as fases, a imaginação, na minha opinião, é a mais importante e a mais prejudicada pelo nosso sistema hodierno de viver. Estamos tão conectados, ligados a coisas desnecessárias e policiados pela família, empresa, colegas e vizinhos que ficar sem fazer nada pode parecer um crime. A imaginação precisa de tempo e de amplo espaço em nossa cabeça. Deve ser por isso que Einstein, um cara que sabia das coisas, disse, mostrando a língua: “Em circunstancias desfavoráveis a imaginação é mais importante do que o conhecimento”.

Vamos a um exemplo prático: nos últimos anos a maioria dos aviões tem saído com um novo componente aerodinâmico – uma aba vertical ou inclinada na ponta da asa, o winglet. A peça tem a função de diminuir barulhos, trepidações, aumentar a sustentação a eficiência do voo, a velocidade e a economia de combustível. Muitos podem pensar que essa inovação foi criada em sofisticados laboratórios. Na sua fase final, sim, mas antes ela passou pelo processo da imaginação. Seu inventor gostava de observar o voo dos pássaros e eles usam do artifício de curvar as pontas das asas para planar melhor. Ora, o avião existe há quase cem anos e só agora essa inovação apareceu? É que até este estalo criativo e inovador ninguém tinha se dado ao trabalho, em completo estado de imaginação, de ficar observando urubu voar.

Platão dizia que “as palavras dizem o que são”, mas em alguns casos precisamos de um esforço para entendê-las melhor. Já está na hora de colocar nos programas das escolas de negócios o assunto “compreensão das palavras do mundo corporativo”. Os jovens estão falando coisas das quais não sabem seus significados, ou estou enganado e quem não está entendendo nada sou eu?

*Eloi Zanetti é publicitário, referência em comunicação corporativa e empresarial, e colunista do Mural do Paraná. Contato: eloizanetti@gmail.com

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