
Se as casas de apostas não fossem ilegais no Brasil e pudessem bancar jogos de futebol, eleições como a de Greca x Leprevost e julgamentos como o de Luiz Fernando Ribas Carli (o O.J. Simpson daqui), talvez as instituições fossem mais céleres em suas decisões. Infelizmente, continuamos devagar e sempre. Façam suas apostas, quantos políticos enfrentarão o cadafalso no STF? Até agora foram cinco em mais de 50 denunciados. Virão mais porque está aí uma lista de Rodrigo Janot a sair do forno e, paquidermicamente, elas deverão se arrastar até cair no esquecimento.
CONTORCIONISMO
Os números estão aí para quem quiser ver. Até há pouco tempo, o Supremo Tribunal Federal nunca havia condenando um político. E havia motivos de sobra para isso. Mas o arrastar judiciário, os pedidos de vista, os contorcionismos, as chicanas, fizeram com que o tempo se encarregasse de arquivar todos os processos.
ANISTIA
O que vai agora não é diferente. Apesar da grita das ruas, das manifestações gigantes, do repúdio à classe política e do clamor anticorrupção, insinua-se nos tribunais da alta corte uma anistia geral ampla, irrestrita e silenciosa a quem se serviu dos cofres público, risonho e folgazão.
HAGIOGRAFIA
O que nos resta? Sergio Moro. Enquanto o STF procrastina, ele segue punindo aqueles que o foro privilegiado não alcança. Triste país.
Mas faça-se uma ressalva: Moro é incansável em sua missão de juiz, é certo. No entanto, não merece hagiografias, não é candidato às honras do altar.
Nem tem o dom da infabilidade. Que isso fique bem claro.
