

Salvo adiamento de última hora, a edição impressa da Gazeta do Povo poderá parar de circular neste sábado (18) no interior do Paraná. No interior. Depois, prevê-se o fim da impressa que circula em Curitiba.
Os sinais de que isso ocorreria ficaram óbvios quando o jornal deixou de renovar a assinatura da edição impressa (na Capital), ofertando apenas a digital. Outro alerta foi dado quando a publicidade legal do governo do Paraná, que era concentrada na Gazeta, foi transferida para a Folha de Londrina, um concorrente modestíssimo.
2 -QUASE CENTENÁRIA
Não há nada a comemorar, diga-se. A Gazeta do Povo é o maior e mais influente jornal do estado. Aos 98 anos, comemorados sem alarde, o diário que viveu seus anos de glória nas décadas de 80 e 90, transpôs diversos desafios. Um deles o da informação. Só com a renovação editorial e com os compromissos de isenção jornalística, a Gazeta alcançou prêmios nacionais e internacionais como o Esso e o de liberdade de imprensa da Associação Nacional de Jornais (ANJ).
Nisso, faça-se justiça aos irmãos Ana Amélia Filizola e Guilherme Cunha Pereira, que sucederam a Francisco na direção da GP.
E justiça se faça também ao período áureo de premiações que marcou o jornal, sob a direção de Redação da jornalista Maria Sandra Gonçalves, com o apoio de profissionais como Marisa Valério, Márcio Campos, Eduardo Aguiar, Diego Antonelli, Mauri Konig, José Carlos Fernandes. A área política da GP é privilegiada com a participação e as análises de Celso Nascimento e Rogério Galindo.
3 -MODELO DE NEGÓCIOS
A opção pela versão digital é econômica, mas tortuosa. Não se sabe o que virá. A internet ainda é carente de um modelo de negócios que garanta a viabilidade de um veículo que forneça, além de notícias em tempo real, comentário, análise e opinião balizados.
De qualquer maneira, somos todos órfãos.
