terça-feira, 5 maio, 2026
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O caso da Assembleia Legislativa do Paraná

Assembleia: o prédio
Assembleia: o prédio

Já vai longe, longe mesmo, o tempo que se dava importância para o que vai na Assembleia Legislativa do Paraná. Só o fato de saber que existem 54 “representantes do povo” é um prodígio. Houve época em que o legislativo acenava com alguma independência.

CUIDADO: IMPRENSA

Se algum profissional de imprensa sem vínculo com alguma empresa de comunicação estiver interessado em acompanhar as sessões da Assembleia para observar, por exemplo, o quanto assíduos são os parlamentares nas sessões, terá problemas.

Mesmo com um setor de imprensa que se quer democrático, há seguranças prontos a questionar aqueles que não levam o nome de setoristas. Munidos com comunicadores, eles abordam o jornalista até que ele se sinta incomodado e deixe o reservado. Setoristas sim, aqueles do dia a dia que tomam cafezinho com os deputados.

E A DEMOCRACIA?

Um deputado petista, cujo nome escapa a esse escriba (como tantos outros), subiu à tribuna da Assembleia para discorrer elogios ao comunismo cubano do finado Castro e ao socialismo bolivariano do infindável Nicolás Maduro. Dias depois, dois jornalistas da Rede Record foram presos, intimidados e pressionados, porque haviam entrado no país para investigar negócios da Odebrecht com o governo venezuelano.

DESPROVIDO SOCIAL

O deputado tem seu verbo próprio. Para ele um narcoterrorista das Farc é um insurgente. Um black bloc é um guerreiro da revolução. Um ladrão é um desprovido social. Uma invasão de escola é uma apropriação de “área improdutiva”.

LOBOTOMIA

Duas horas na Assembleia, tempo médio de uma sessão que nunca começa no horário marcado, às duas da tarde, e é sempre esvaziada antes das cinco – afinal deputado tem mais o que fazer – é suficiente para provocar uma sensação parecida com a lobotomia inventada pelo português Antônio Egas Moniz;

REINVENTEM-SE

O legislativo é necessário? Claro que é. Não há democracia sem ele.
Quanto aos deputados, alguém precisa reinventá-los.

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