
Seu livro ‘On the Road’ apresentou e definiu a geração beat e influenciou dos hippies a Bob Dylan
(Folha de S. Paulo)
Há exatos cem anos, em 12 de março de 1922, nascia em Lowell, cidade a cerca de meia hora de carro de Boston, nos Estados Unidos, o escritor que apresentou e definiu a geração beat —Jack Kerouac.
“On the Road“, sua obra-prima, chegou a ser considerada uma espécie de bíblia para o movimento de contracultura, inclusive para os hippies anos mais tarde, e influenciou de Bob Dylan a Francis Ford Coppola. Um relato autobiográfico das peregrinações de Kerouac pelo interior dos Estados Unidos na década de 1950, a primeira versão do livro foi escrita em abril de 1951.
Conta-se que o escritor levou três semanas de trabalho frenético, datilografando a obra inteira em um único parágrafo, com entrelinha simples, em folhas de papel vegetal, mais tarde coladas umas às outras, formando um rolo de quase 37 metros de comprimento.
O livro só foi publicado seis anos mais tarde, em 1957, após uma série de revisões. A fama veio em seguida, quando o New York Times publicou uma crítica elogiosa da obra. Junto, vieram também os detratores. Como listou Cláudio Willer —escritor, crítico literário e tradutor dos haicais de Kerouac para o português— em um artigo sobre o autor publicado neste jornal em 2013, o culto à espontaneidade, a desordem formal, a apologia da libertinagem são algumas das objeções frequentes a “On the Road”. O livro ainda recebeu críticas pautadas pela correção política, que apontaram hedonismo, sexismo e imediatismo.
São todos elementos indissociáveis do que seria depois o movimento beat. Seus integrantes, os beatniks, buscavam uma exploração da consciência —chamavam isso de “tour”, muitas vezes animados por drogas— e desdenhavam do consumismo e dos padrões familiares impostos pelo “American way of life“.
